O relato que se segue refere-se a uma
situação por mim vivida, diferente de tudo que tinha experienciado nos
contactos hospitalares até então havidos. Como nota prévia, quero salientar a
opinião positiva sobre a forma como fui atendido e acompanhado por todas as
pessoas que estiveram comigo nesta minha experiência hospitalar (médicos,
enfermeiros e assistentes operacionais). Já tal não se poderá dizer do
funcionamento de algumas condições estruturais do sistema de saúde, como se
poderá ver. Logo no início da minha estadia no hospital, após o regresso da
unidade de cirurgia cardiotorácica para o serviço de urgência, dei-me conta de
situações que não me pareceram bem, sentindo que as deveria anotar para
construir um histórico dessa minha passagem pelo hospital. Neste sentido, pedi
à médica cardiologista, Dra. Adelaide Dias, duas folhas de papel em branco,
tendo a médica dito “Já me pediram muitas coisas neste serviço de urgência mas
é a 1ª vez que me pedem folhas de papel para escrever. Vou já buscá-las”. E
passei, desde logo a tomar notas.
Vamos, então, à história (apesar de
conhecer a identidade de muitas das pessoas com quem contactei, não mencionarei
o nome da maioria por não ver conveniência para tal). Faltava pouco para as nove
horas da manhã do dia 12 de Janeiro de 2017, estando ainda na cama, quando
senti uma dor na parte superior esquerda do peito, junto ao ombro, que se
deslocou gradualmente para a zona do coração. Suspeitei de estar perante um
enfarte de miocárdio e coloquei
imediatamente, debaixo da língua, um comprimido de Flindix que me tinha sido
indicado, alguns anos atrás, para este tipo de situação. Como a dor não se
atenuava, coloquei outro comprimido mas sem qualquer efeito. Tomei a decisão de
telefonar para o 112 a comunicar o meu estado, tendo a chamada demorado menos
de um minuto a ser atendida. Após comunicar os sintomas foi-me recomendado que
não fizesse qualquer tipo de esforço e aguardasse, sentado, a chegada da
ambulância. Passados menos de dez minutos tinha a ambulância à porta de casa
que, de imediato, me conduziram ao hospital de V.N.Gaia aonde cheguei cerca das
9h30. Menos de um minuto após a chegada estava na triagem, que, após o relato
dos sintomas, comunicou com a cardiologista de turno no serviço de urgência
(Dra. Adelaide Dias) informando-a do meu caso, dando indicação a uma auxiliar
para me levar à sala onde se encontrava a médica, tendo, esta, procedido, de
imediato, à feitura de um eletrocardiograma. Ainda o eletrocardiograma estava a
decorrer e já a médica estava a telefonar para a unidade de cirurgia cardiotorácica
informando que eu iria para lá ser encaminhado. Foi-me pedida a minha
autorização para ser sujeito a um cateterismo, a uma angiografia e a outros atos médicos que se revelassem necessários,
após o que entrei na sala da unidade de cirurgia (poucos minutos após), onde já
se encontrava uma equipa de médicos e enfermeiros que, de forma sincronizada,
me foram despindo e colocando os instrumentos necessários ao cateterismo,
mantendo comigo uma conversa descontraída informando-me do procedimento que
iria ocorrer e que, se eu quisesse, poderia visualizar no monitor o decorrer do
ato clínico, desde a entrada do cateter até aos atos subsequentes. Foi detetado
um trombo numa das artérias coronárias, no ventrículo esquerdo, tendo-se
procedido à sua desobstrução, após o que deixei de sentir a dor que até então se
localizava no coração. Os médicos aproveitaram a oportunidade para visualizar o
estado de outras artérias coronárias, informando-me da necessidade de colocação
de um stent numa delas, que se encontrava em mau estado, tendo decidido efetuar
tal ato posteriormente. Estive consciente durante todo o processo, seguindo o
procedimento executado. O cateter foi
introduzido pelo pulso.
Terminado o ato cirúrgico, a
cardiologista, Dra. Adelaide Dias, retomou o contacto comigo, informando-me que
iria estar um dia monitorizado, seguindo-se dois dias em observações, após o
que iriam atuar sobre a artéria em mau estado. Manifestei o meu querer de sair
após o 1º dia, voltando ao hospital, em ambulatório, para outros atos
necessários, mas a médica disse-me que isso se veria após o 1º dia. A questão
que se colocou naquele momento foi encontrar uma cama no serviço de observações
para me colocarem, já que não havia vagas naquele serviço nem noutro serviço
adequado. Voltei para a sala do serviço de urgência, assistindo às diligências
da médica de procura dum lugar para onde me enviar. Passados alguns minutos, a
médica informou-me que iria ter de permanecer na sala de cuidados do serviço de
urgência, pois não tinha encontrado cama vaga nesse hospital, nem no hospital
de Santo António para onde poderia ser transferido.
Eram cerca das 11h30 quando reentrei
nos serviços de urgência e colocado numa maca dentro da sala onde estavam a
decorrer os atos de tratamento urgentes aos doentes que iam entrando. Os
serviços de urgência estavam sobre congestionados, assim como as salas de
observações e de cardiologia. Todo o pessoal clínico estava em sobrecarga,
parecendo terem em conta as prioridades, observando-se uma certa disciplina de
trabalho. A macas estavam praticamente encostadas, umas às outras, tendo os
médicos e as enfermeiras de as empurrarem para se poderem deslocar na prestação
de cuidados aos doentes, tendo eu assistido a essa prestação de cuidados ao
longo do dia.
Após a saída da unidade de cirurgia,
foi colocada aos pés da minha maca o saco com as minhas roupas e pertences, mas
eu não me podia movimentar para a eles ter acesso, pelo que pedi à médica que
me permitisse utilizar o seu telefone para contactar a minha mulher, ao que ela
acedeu (Foi nesta altura que lhe pedi as folhas de papel referidas no início
deste relato). Passado algum tempo, a
médica veio dizer-me que uma sua colega, minha vizinha (Dra. Dulce), tinha
indagado da minha situação, colocando-se ao meu dispor.
Durante a minha estadia no interior
da sala operacional do serviço de urgência, enquanto aguardava vaga para onde
me enviassem, observei casos dos mais díspares. Doentes a berrar e a gemer
durante largos períodos de tempo, casos leves e outros de gravidade extrema, entrada
sucessiva de novos doentes, mudanças de turno sem que os doentes ficassem
desamparados, auxiliares em trabalhos de limpeza frequentes, atos médicos dos
mais variados, etc… . Uma das doentes que ficou com a maca dela junto da minha,
uma senhora idosa (96 anos) em estado bastante debilitado a quem os médicos que
dela se ocuparam concluíram nada mais haver a fazer, estando eu a ouvir as suas
trocas de impressões, tendo permitido que uma sua filha entrasse na sala para
acompanhar os momentos finais da mãe, cuja consciência se foi apagando
lentamente. Fomos falando um com o outro, enquanto ela cobria a mãe, durante as
últimas duas horas de vida, de carícias e beijos. Foi emocionante este
acompanhamento no final de vida de uma pessoa deitada na cama ao lado.
Recordei-me, nesta altura, duma entrevista que tinha lido, tempos atrás, dum
ex-presidente do conselho de administração deste hospital (Dr. Castanheira
Nunes), nomeadamente quando o jornalista lhe perguntou, depois de serem
enumerados os muitos problemas do hospital, qual seria o mais importante a
relevar e o Dr. Castanheira Nunes respondeu: “Humanizar, humanizar,
humanizar!”.
À meia-noite fui transferido para o
Serviço de Observações. Durante as mais de 12 horas em que estive de novo no
serviço de urgência, depois de sair da unidade de cirurgia cardiotorácica,
apenas foi-me dado, a meu pedido, uma garrafa de 33 cl de água (marca Spring,
com um ph de 5,8+-0,4. A passagem do serviço de urgência para observações foi
como a passagem do inferno para o céu, em termos de instalações e sossego.
Fiquei na cama 6, sendo vigiado frequentemente, pouco tendo dormido durante a
noite, pelo que me apercebi do que se passava. Ouvi conversas das mais
variadas, incluindo relatos sobre bens de doentes que desaparecem. Constatei os
enormes consumos em seringas, gazes, pensos, adesivos, luvas, etc…, cujos
custos devem ser elevadíssimos. Uma enfermeira referiu-me que há seringas
usadas em cardiologia que chegam a custar mais de mil euros por unidade. Ouvi, também, a doente que estava na cama a
meu lado dizer a uma assistente operacional, em choro sentido e quase
silencioso:” Peço tanto a Deus que me cure. Tenho uma filhinha de dois anos
para criar”. Respondeu-lhe a assistente operacional: “Deus é grande e nunca nos
abandona”.
Pelas dez horas, desse dia 13, fui
fazer um RX ao tórax, e já pude receber, durante meia hora, a visita da minha
mulher, assim como recebi a visita de duas médicas amigas (Dra. Dulce, que é minha
vizinha, e a Dra. Cristina Pinto, minha amiga de há dezenas de anos).
Às 18h30 fui transferido para a
Unidade de Cuidados Intermédios de Cardiologia (cama 12 – Proc. 14318379). As
condições são ainda melhores do que em observações. Foi-me feito o despiste de
bactéria ultrarresistente com recolha de amostras das narinas e do ânus. Fui,
ainda, informado que, logo que as condições o permitissem, iria voltar à
unidade de cirurgia cardiotorácica para a colocação do stent na artéria que se
encontrava em mau estado, pelo que iria continuar internado. Passei a poder deslocar-me sem estar preso a
monitores, tendo-me sido colocado um monitor de bolso, e já pude receber
visitas com restrições, mas pedi para não informarem outras pessoas além dos familiares
mais próximos, já que não queria incomodá-los. Não consegui impedir que a
informação se espalhasse e tive a tentativa de visita de vários amigos mas as
restrições de visitas não o permitiram, tendo que o contacto tivesse de ser
telefónico.
A partir da noite deste dia passei a
poder fazer refeições nos horários habituais. O jantar foi sopa de legumes e
febra grelhada com batatas cozidas e legumes, além de uma peça de fruta.
No dia seguinte, dia 14, fui abordado
pela técnica de reabilitação (Dra. Ana Vermelho) para iniciar um programa de
exercícios físicos. Durante o dia, tive ocasião de constatar a rotina de
funcionamento do serviço ficando com uma impressão geral de eficiência e
competência tecnocrática, com as diferenças naturais das pessoas em afetividade
e alegria. Há uma rotina sistematizada, havendo dificuldade de acorrer a
situações fora do protocolo estabelecido. Os médicos, enfermeiros e assistentes
operacionais são completamente absorvidos pelas rotinas programadas, quase não
tendo tempo de folga. O almoço consistiu em sopa de legumes (igual em todas as
refeições) e carne assada com arroz, além de uma peça de fruta ou
pudim/gelatina (esta sobremesa repetiu-se nos restantes dias). Ao jantar foi
servido abrótea estufada com batatas e legumes. Ao lanche (também igual todos
os dias) era disponibilizado chá, cevada ou café com leite, acompanhado de pão
com manteiga/marmelada ou bolachas. Neste dia fui visitado pelo amigo Dr. José
Carlos Lawrence, médico no Hospital de Santo António.
Na noite deste dia, cerca das 21
horas, ocorreram dois episódios quase simultâneos de doentes, no quarto ao lado
do meu, que precisaram de serem reanimados com massagens cardíacas, respiração
assistida e técnicas de sustentação vital. As enfermeiras de turno e as
assistentes operacionais entraram quase em pânico, com correrias, vozes
exaltadas, gestos incontrolados, mostrando alguma impreparação para estas
situações. Um dos doentes (uma mulher) teve de ser recolhida no meu quarto
durante mais de três horas, até a normalidade do seu quarto ter sido
restabelecida (esta doente tinha tido um enfarte de miocárdio, semelhante ao
meu, quando se encontrava a dormir na casa do namorado, estando os seus dois
filhos adolescentes na casa dela, pelo que estava com problemas de
consciência). O outro doente ficou
inconsciente e foi submetido a exames complementares de diagnóstico. A situação
só se normalizou cerca da uma hora da manhã do dia seguinte.
Iniciei a manhã dia 15, com as novas
rotinas diárias; banho (duche) e medicação em jejum a que se seguiu o pequeno
almoço (cevada e pão simples). Foi repetida a recolha de amostras de fluidos
para despiste da bactéria multirresistente. Passei a tomar medicação para a
tensão arterial, colesterol e fluidificação da circulação sanguínea. Entrei em
dieta hipolipídica (pobre em gorduras). Na
visita desse dia a minha mulher levou-me o computador e um pequeno rádio
portátil, o que passou a permitir uma melhor ocupação do tempo, apesar de haver
acessos à internet que estavam bloqueados (ex. JN e RTP). Durante o dia
alargou-se a conversa com os dois restantes ocupantes do quarto (um homem e uma
mulher), tendo esta unidade de cuidados intermédios de cardiologia uma lotação
de 12 ocupantes distribuídos por três quartos. A faixa etária dos doentes
compreendia dez doentes com idades compreendidas entre os 65 e os 95 anos (só
duas mulheres tinham entre 30 e 50 anos). Todas as camas estiveram sempre
ocupadas durante o tempo do meu internamento. A partir deste dia passei a
socorrer, várias vezes, a doente da cama em frente da minha (uma funcionária da
RTP – D. Nazaré) cuja patologia atrofiava os movimentos e afetava a laringe,
quase a impedindo de falar (para se perceber alguma coisa tinha-se de lhe
pressionar a garganta). Ela chamava a atenção com gemidos, queixando-se de
dores e incómodo por estar sempre na mesma posição. A doente não mexia os
braços nem as pernas, pelo que não tinha possibilidade de tocar a campainha de
alerta. No início eu chamava a equipa de enfermagem mas, muitas vezes, tal não
tinha efeito rápido (os enfermeiros diziam “já lá vou” mas nem sempre tal
acontecia, pois o conjunto de tarefas do protocolo a que estavam adstritos
absorvia-os quase completamente). Eu tentava sossegar a doente
movimentando-lhe, levemente, os braços, as pernas e a cabeça, o que permitia
suspender os gemidos durante algum tempo.
O almoço do dia foi abrótea cozida com batatas e legumes e o jantar
consistiu em nacos de frango com esparguete e couve de bruxelas.
Ao
início da manhã do dia 16 fui informado que iria ficar em jejum até fazer uma
angioplastia durante a manhã. Mais tarde informaram-me que tal procedimento foi
adiado para a tarde pelo que iria poder almoçar. Manifestei o meu desapontamento
pois tal iria atrasar a minha alta. Nessa manhã visitou-me um amigo cardiologista,
Dr. Ricardo Lopes (GOL), que corroborou a informação de que iria ser feita a
“reparação” da outra artéria durante a tarde e que deveria ter alta no dia 18.
Voltei aos exercícios físicos com a técnica de recuperação, fazendo uma pequena
caminhada pelo interior do hospital, ao mesmo tempo que tagarelávamos sobre as
insuficiências hospitalares e dos
problemas do seu filho na escola. Também conversei com uma assistente
operacional sobre as suas funções, tendo-me confidenciado que o trabalho tem
aumentado por saída de colegas sem serem substituídas, só não mudando de
emprego por dificuldade de o encontrar (auferia o salário mínimo nacional em
contrato individual de trabalho com o hospital), mas mantem-se na ausência de
alternativa, havendo muitas pessoas desempregadas desejosas do seu lugar.
A
médica de turno informou-me, na visita diária de rotina, que não eram esperadas
sequelas graves no meu caso, mas só após a realização de um ecocardiograma é
que se poderia ter uma opinião fundamentada.
Como
até ao final da tarde não fui chamado para a realização da angioplastia,
protestei junto dos enfermeiros, tendo estes chamado a médica de serviço (Dra.
Domingas). Esta informou-me que eu seria o primeiro doente da manhã do dia
seguinte a ser chamado. Pedi o livro de reclamações e a consulta do meu
processo clínico, tendo a médica dito que iria diligenciar nesse sentido. Até
ao final da noite nada me foi facultado.
O
almoço do dia foi bifes de peru com arroz branco e feijão verde, consistindo o
jantar em pescada cozida com batatas e bróculos.
Pelas
oito horas do dia 18 foi-me efetuado um ecocardiograma, que durou até às nove
horas. Foi-me dito para continuar em jejum pois ainda iria fazer a
angioplastia. Fui visitado por uma médica (Dra. Ana Isabel Mosalina) que
procedeu a um inquérito geral sobre a minha saúde, informando-me do
procedimento que se iria seguir e dos seus objetivos, pedindo-me para assinar a
declaração de autorização da angioplastia. Admitiu que este ato médico poderia
ser feito através de consulta externa, mas como eu já estava no hospital
aproveita-se a oportunidade para completar o trabalho. O tempo foi passando e
eu não era chamado, pelo que, cerca das 15 horas, pedi para falar com a médica,
o que veio a acontecer cerca das 16h30. Foi-me dito que se a angioplastia não
ocorresse até final do dia, eu teria alta e voltaria ao hospital em data a
marcar. Cerca das 18h30 entrei na unidade de cirurgia cardiotorácica. Estive
uma hora e meia em intervenção, tendo-se confirmado que a artéria que tinha
estado bloqueada se encontrava em bom estado, procedendo-se à reparação de
outra artéria coronária com a aplicação, na zona danificada, de um stent (rede
cilíndrica metálica que alarga e reforça o diâmetro da artéria), já que a
espessura da artéria se encontrava reduzida a pouco mais que um cabelo. O
acesso do cateter foi pela virilha.
Voltei
para o quarto às 20h30, jantando bife de atum com arroz e salada (não almocei
pois tinha de estar em jejum para a angioplastia). Tive de me manter imóvel até
à manhã do dia seguinte (só podia movimentar a cabeça). Não dormi durante a
noite, pois o desconforto da imobilização era quase insuportável. Tentava
manter-se distraído ouvindo música no pequeno rádio portátil que tinha pedido
para me comprarem, bebendo goles de água e mexendo a cabeça de um lado para
outro.
Às
07h30 de dia seguinte (18/01) retiraram-me o cinto de imobilização do penso,
preenchido com blocos de gelo, após o que senti um grande alívio por poder
mexer o corpo, apesar de me sentir todo partido. Tomei um duche e o pequeno
almoço, após o que adormeci tranquilamente.
Às
dez horas fui visitado pela médica (Dra. Ana Isabel) que me informou dos
aspetos técnicos da angioplastia havida e das implicações futuras. Pedi-lhe
para ter alta imediatamente mas ela disse-me que, por precaução e segurança,
seria melhor só sair no dia seguinte, indo-me ser fornecidas as recomendações e
medicação que teria de passar a observar. Voltei a ser visitado pelo amigo Dr.
Ricardo Lopes que me deu informações na linha das que me tinha dado a Dra. Ana
Isabel.
Pelas
11h30 foram-me retirados os restantes pensos, ficando só o cateter da mão e o
penso da virilha que se encontrava em bom estado.
O
almoço do dia foi massa com duas fatias de carne e legumes, sendo o jantar red
fish estufado com batatas e legumes.
No
dia seguinte (19/01) tomei um duche logo ao início da manhã e efetuei as
análises e exercícios do costume. O médico de turno (Dr. Pedro Gonçalves)
esteve comigo, fez alguns exames (ECG, auscultação, tensão arterial, etc…),
entregou-me a medicação que passaria a seguir, recomendou-me os procedimentos
que deveria adotar e deu-me alta.
A D.
Nazaré quando viu isto chamou-me e disse: “Vai fazer-me muita falta!”. Fiz-lhe
uma carícia e despedi-me dos restantes doentes e equipa médica e de enfermagem,
agradecendo as atenções que me dispensaram.
Dois
meses após, na época da Páscoa, dirigi-me, novamente, ao serviço de cardiologia
do hospital, entregando à Dra. Adelaide Dias (médica que me atendeu no serviço
de urgência) uma caixa de porcelana com amêndoas, pedindo que as partilhasse
com os restantes membros da equipa, como sinal da minha gratidão.
Fiquei com a convicção, alicerçada naquilo em que tive
contacto direto, de que o SNS tinha
entrado em ruptura (instalações e recursos humanos), não tendo capacidade de
resposta para situações já consideradas de rotina.
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