segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Panorama da Realidade Prisional - Exposição Justificativa da Petição de Amnistia/Perdão de Penas

 

Amnistia/Perdão de Penas no âmbito das comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril

Bula do Papa Francisco Spes non confundit -Amnistia/perdão de pena para os presos

 

Senhoras deputadas e senhores deputados

Está em apreciação na Assembleia da República, a petição pública visando a aprovação de uma amnistia/perdão de penas, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. No dia seguinte à entrega desta petição à Sra. Vice-Presidente da Assembleia da República, Deputada Dra. Teresa Morais, o Papa Francisco assinou, a 9 de Maio, a Bula de Proclamação do Jubileu Ordinário do ano de 2025  «Spes non confundit – a esperança não engana» (Rm 5, 5), onde consta o apelo a formas de amnistia/perdão de pena para os presos como sinal de esperança, que ajude as pessoas a recuperar a confiança em si mesmas e na sociedade, anunciando que irá abrir uma “porta santa” numa prisão.

A O.V.A.R. - Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos, ONG de matriz cristã, mantém, na colaboração dos seus membros com os reclusos do sistema prisional, o seu cariz vicentino de ajuda concreta imediata, complementada com a abertura de condições para a sua saída da condição de pobreza, injustiça e exclusão social, não nos limitando à ajuda, ainda que positiva, que não ambiciona alterar a situação vigente, dentro do espírito de apoio a todas as vítimas de flagelos sociais.   A desumanidade a as violações de direitos humanos vividas nas prisões portuguesas não se compadecem, apenas, com ações de remedeio. É necessária a ajuda mas tem de se alterar a situação que a motiva. 

Tal como temos vindo a alertar, desde há alguns anos, o sistema prisional português tem características evidentes de desumanidade e incongruência, violadoras dos referenciais jurídicos nacionais e internacionais, situação esta reconhecida por entidades como a Provedoria de Justiça e os Comités das Nações Unidas e do Conselho da Europa para as questões da tortura e dos direitos humanos. O exposto a seguir não esgota a panóplia daquilo que é necessário mudar no sistema prisional, já que o modelo civilizacional construído nos finais do século XX aponta no sentido da abolição das prisões, pois que são instituições cruéis, assustadoras, anacrónicas, medievais, medonhas, arcaicas, degradantes, ineficazes, violentas, desumanas e dispendiosas.

Façamos um périplo pelo interior das prisões, considerando que o retrato difere de prisão para prisão e do ambiente que nelas vigora.

- É importante a criação duma dinâmica de prevenção da criminalidade baseada numa via formativa e não punitiva (utilização da sedução e não da repressão), relevando o respeito pelos outros, substituindo o ódio e o egoísmo pela amizade e partilha, permitindo a satisfação de necessidades básicas com recurso a rendimentos lícitos, eliminando a pobreza e a exclusão social.

- É urgente terminar com a possibilidade de cumprimento de prisão perpétua, proibida constitucionalmente, nos casos de penas sucessivas cumprindo, objetivamente, o disposto no Código Penal da pena máxima de 25 anos consecutivos, assim como as disposições da Constituição da República Portuguesa. A dimensão do problema, apesar da promessa do seu levantamento pelo ex-director-geral da DGRSP, ainda não é conhecida.

- Deve-se terminar rapidamente com a violação do Direito Internacional no que toca à garantia do direito generalizado à própria defesa, previsto no artº 14º, nº3,d), do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de que Portugal é Estado-Parte, acusados pela ONU pelo seu incumprimento, sendo os reclusos os mais injustiçados com tal situação, independentemente da  necessidade de melhoria do apoio judiciário que se tem revelado frágil e inadequado.

- É necessária uma modificação profunda na abordagem duma política sobre drogas (responsável pela maioria esmagadora da população prisional, pois a obtenção de dinheiro para a compra de droga está na base do pequeno tráfico e dos crimes contra as pessoas, contra o património e contra a sociedade), encarando a não criminalização de todo o circuito produtivo e comercial (a exemplo do tabaco, do álcool, do jogo, das chamadas de valor acrescentado, etc…) e promovendo uma campanha alargada de sensibilização para as consequências de todas as dependências. Faz algum sentido continuar uma guerra, que já dura há dezenas de anos, sem perspetiva de a ganhar, antes pelo contrário, quedando-nos a olhar para o nosso umbigo embevecidos com o passo positivo dado da descriminalização do consumo? Não estamos a querer ver o falhanço da estratégia para ganhar essa guerra pela via punitiva de combate e da repressão. Mais, estamos a sustentar estruturas envolvidas nesse combate que não têm interesse no fim da guerra, pois tal terminará com o seu modelo de negócio. Quer a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, quer M. Kazatchkine, da Comissão Global de Políticas de Drogas, declararam, em 26/05/2019, na 26ª Conferência sobre a Redução de Danos, que a guerra às drogas fracassou, sendo favoráveis à legalização das drogas, mesmo das mais pesadas.  Ainda neste ano de 2024 o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou, em evento de alto nível da 67ª Sessão da Comissão de Narcóticos da ONU, em 14 de março de 2024: “ Uma coisa é certa: o uso desproporcional de penalidades criminais e abordagens repressivas para lidar com o problema mundial das drogas está causando muito mais danos do que benefícios. Portanto, precisamos de uma mudança de paradigma na política global de drogas. Uma regulamentação mais responsável - e humana - do mercado de drogas para eliminar os lucros do tráfico ilegal, da criminalidade e da violência. “ Ver também o Relatório Europeu sobre Drogas e Toxicodependência de 2024, divulgado pelo EMCDDA neste mês de Junho de 2024.

 

- Há que ter em consideração de que todas as formas em uso nas tecnologias de informação e  comunicação devem ser acessíveis aos reclusos, incluindo  o  uso alargado dos equipamentos (telemóveis e computadores), permitindo uma efectiva praxis para a ressocialização e acompanhamento da vida no exterior, tendo em conta que a aplicação de penas de prisão efectiva tem como consequência, apenas, a privação da liberdade de circulação, mantendo o recluso todos os demais direitos de que dispõem os cidadãos em liberdade plena (ver artigo do ex-Diretor  Geral  da  DGRSP no jornal Pùblico - 11/06/2019 – Um novo paradigma para o uso de telefone e privação da liberdade). É positivo o aumento de períodos de comunicação telefónica dos reclusos, ainda que este passo não vai impedir a continuação da entrada clandestina de telemóveis nas prisões, já que as potencialidades destes equipamentos não são supríveis com as comunicações telefónicas tradicionais (estas não permitem as novas tecnologias de comunicação e as comunicações escritas instantâneas)

- Relativamente à política de fomento da valorização académica dos reclusos e de contactos com o exterior, saúda-se o protocolo de colaboração da DGRSP com a Universidade Aberta, esperando-se que os estabelecimentos prisionais criem as condições para a adesão dos reclusos ao prosseguimento dos estudos.

- Tendo o crime de condução de veículos automóveis, sem carta de condução, significativa expressão, deve-se procurar proporcionar ao recluso, preso por este crime, a possibilidade de obtenção dessa habilitação enquanto se encontra em cumprimento de pena. 

- É urgente a admissão da necessidade de alargar a formação para os direitos humanos dos efectivos prisionais e de concretizar o recrutamento de recursos humanos para as áreas de apoio aos reclusos (médicos, psicólogos, assistentes sociais, etc…). É necessária a promoção dum clima de dignidade e humanismo, com a melhoria das condições prisionais e de respeito pelos normativos aplicáveis dentro das prisões, nomeadamente o CEPMPL, acabando com a ideia de que o Estado de Direito fica à porta das prisões. As instituições nacionais e internacionais de direitos humanos (Conselho da Europa, Nações Unidas, Provedoria de Justiça , etc…) continuam a manifestar a sua insatisfação e perplexidade com a situação existente.

- As prisões devem ter uma dimensão e localização que permitam a proximidade do recluso à sua área de residência, promovendo uma política de transferências de reclusos para tal, assim como evitando instalações de dimensão elevada que introduzam grandes aglomerados de reclusos dificultando a humanização da vida prisional, assim como combatendo a existência de grupos de liderança que praticam a extorsão e a violência nas prisões. Para análise individual de cada estabelecimento prisional, o relatório de actividades anual, publicado pela DGRSP, deveria incluir o relatório pormenorizado de cada estabelecimento prisional a exemplo do que foi feito até ao ano de 2010, tornando transparente a sua situação e o conhecimento da vida interna que tal desenvolvimento do relatório permitiria.

- Sendo Portugal frequentemente visado pelas organizações internacionais  de direitos humanos de que faz parte, nomeadamente das Nações Unidas e do Conselho da Europa, os relatórios produzidos por estas instituições só podem ser divulgados depois da autorização do governo português, o que não abona a favor da transparência e da boa fé. Torna-se necessário que Portugal prescinda desta prerrogativa e retire a restrição à divulgação desses relatórios logo que essas instituições os produzem.

- Deve-se ter em consideração que Portugal tem o tempo médio de cumprimento de pena mais elevado da União Europeia. É injustificada a persistência nas penas mais longas da União Europeia (o tempo médio de cumprimento de pena em Portugal é cerca do quádruplo da média da U.E.), pelo  que reduzindo este tempo não precisamos  de mais prisões nem  de mais recursos humanos. Precisamos é de reduzir o tempo médio de cumprimento de pena, que levará à redução da população prisional, com a óbvia e consequente economia de meios financeiros, humanos e materiais. A aprovação duma amnistia contribuirá para este objectivo, corporizando, além do mais, os pilares cristãos do perdão e da misericórdia que fazem parte da matriz social portuguesa. O poder político não tem de ter medo da reacção dos portugueses a este respeito e uma amnistia, assim justificada, será apoiada pela opinião pública.

- Há que considerar a  aplicação das Regras de Bangkok (Regras das Nações Unidas para o tratamento de mulheres presas  e  medidas  não  privativas de  liberdade para mulheres infratoras) às reclusas com filhos, abolindo o cumprimento de penas de prisão que, por arrastamento, cumprem as crianças inocentes.

 

- Há que tomar medidas de prevenção de represálias sobre os reclusos para os condicionar na sua forma de ser e estar, represálias estas que consistem em pareceres injustos para a concessão de licenças jurisdicionais, na atribuição de tarefas ocupacionais remuneradas e enquadramento no Regime Aberto, no caso de reclusos reivindicativos dos seus direitos.

- Os tribunais de execução de penas persistem em decisões restritivas na concessão de licenças jurisdicionais (precárias) e na liberdade condicional, ao arrepio do recomendado pelos instrumentos de reinserção social, raramente concedendo uma licença com 25% do cumprimento de pena, apesar de tal possibilidade ter consagração legal, além do desrespeito dos prazos processuais, assim como raramente concedem a liberdade condicional aos 50% do cumprimento de pena. Por outro lado, deveria ser obrigatória a presença física dos reclusos e seus advogados  em todas as reuniões que apreciam o seu caso, assim como de ser-lhes fornecida cópia dos relatórios e pareceres que lhes dizem respeito, com a sua inclusão no respetivo processo individual existente no estabelecimento prisional.

- Continua a retenção indevida do dinheiro do trabalho dos reclusos, infringindo o imperativo constitucional do direito de propriedade, com o argumento da constituição dum fundo de reserva. Tal só deveria ser feito com a concordância do recluso. Por outro lado, o trabalho nas prisões, sendo escasso, é remunerado com valores tão baixos, de alguns cêntimos por hora, que se pode equiparar a trabalho escravo, além de que os bens produzidos pelos reclusos, ao serem vendidos, configuram concorrência desleal com as entidades que produzem o mesmo tipo de bens tendo de suportar salários e encargos legais, não se conhecendo os contratos com as entidades que utilizam mão de obra prisional.

- Assiste-se, no interior das prisões, a alegações de prática de tráfico de drogas e bens, homossexualidade forçada, violações, roubos, violência, chantagens sobre as famílias, autoritarismo e prepotência, situações inaceitáveis que urge acabar.

- A assistência espiritual e religiosa é feita com grandes limitações de tempo de contacto  com  os  reclusos, agravada com  a  sua  impossibilidade  no  caso das greves dos guardas prisionais (A assistência espiritual e religiosa deve fazer parte dos serviços mínimos).

- A dinâmica de reinserção social em muitas prisões, a partir do início do cumprimento de pena, é claramente insuficiente, para não dizer quase inexistente, situação esta que continua a persistir devido a um patente autismo da sociedade em geral, e do poder político em particular, perante as denúncias, quer da própria Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, através dos seus relatórios de actividades, quer de algumas ONGs, situação esta agravada pelo recurso a técnicos com vínculo precário.

- Os serviços de saúde são objeto de grandes limitações, em recursos materiais e humanos, como, por exemplo, no fornecimento de próteses dentárias, auditivas e oculares, situação esta agravada pelo recurso a técnicos com vínculo precário.

- É imperioso que se dê andamento à implementação de protocolos com autarquias visando a criação de “casas de saída”, permitindo a existência dum local aonde os reclusos podem recorrer quando não dispõem duma morada no exterior, permitindo a sua ressocialização e reintegração, minimizando os custos sociais do crime e da reincidência.

- A alimentação é manifestamente pobre e insuficiente, em qualidade e quantidade, bastando constatar que o valor diário, por recluso, para as quatro refeições, fornecidas por entidades com fins lucrativos,  é inferior a € 4,00. 

Em acréscimo a estas questões, importa ter em conta o que temos vindo a declarar nas sucessivas intervenções em que nos envolvemos.

Em Abril de 2019 fomos homenageados com o prémio “Terra Justa – Causas e Valores da Humanidade” (Fafe - 04/04/2019) pelo nosso contributo para a humanização do sistema prisional, onde proferimos a seguinte declaração:

 

(…) “Permitam-me um prólogo à intervenção protocolar nesta cerimónia de homenagem à O.V.A.R. – Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos, promovida pela Câmara Municipal de Fafe no “Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade – Terra Justa” do ano de 2019.

Já que estamos em momento de homenagens, quero  homenagear e solidarizar-me com todas as vítimas de atos anti-sociais, e homenagear e solidarizar-me, também, com alguns perpetradores de atos socialmente censuráveis de quem tenho tido o privilégio de contactar, na prossecução duma sociedade sem crimes, sem vítimas e sem reclusos, uma sociedade de paz e liberdade.

- Recluso A – Preso há 34 anos, considerado inimputável, manifesta a sua revolta e indignação pela renovação, de 2 em 2 anos, da sua reclusão no estabelecimento prisional. Tem consciência da injustiça que lhe está a ser feita. Mantenho com ele uma relação de grande amizade. “A recente aprovação da lei de saúde mental, em 2023, veio pôr termo a esta situação.”

- Recluso B –Um jovem, de 32 anos, depois de cumprir uma pena de 6 anos, conseguiu arranjar trabalho como condutor dum camião de recolha de lixo e como distribuidor de pizzas. Encontramo-nos regularmente (quer enquanto se encontrava na prisão, quer agora em liberdade). Diz-me: “Aquilo, lá dentro, é muito pior do que se pode imaginar.”

- Recluso C – Encontra-se preso pela 3ª vez. Quando o encontrei a iniciar o cumprimento da 3ª pena, perguntei-lhe: “ Então você aqui outra vez? Não me tinha  dito  que  nunca  mais  voltaria para a prisão?” Respondeu-me: “Quando cheguei a casa depois de libertado a minha mãe disse-me: rapaz, vê lá se arranjas trabalho pois nós somos pobres e precisamos da tua ajuda. Visitámos-te pouco na prisão pois não tínhamos dinheiro para lá ir. No dia seguinte fui a diferentes lugares oferecendo-me para trabalhar e todos me disseram para deixar   os   meus   contactos,  que  logo   que   aparecesse   alguma   coisa   me telefonariam. No 2º dia repetiu-se o que se passou no dia anterior.” Então o recluso  perguntou-me:  “O senhor acha que  eu  tinha coragem  de  voltar para casa ao 3º dia sem dinheiro nem trabalho?”. Foi apanhado e preso uns dias depois.   

- Recluso D – Depois de 20 anos de vida atribulada, conseguiu encontrar um rumo para o seu futuro, concluindo a licenciatura em engenharia mecânica, enquanto está preso, estando agora a fazer o estágio curricular e o mestrado, devendo sair em liberdade no final do corrente ano, apesar das grandes limitações a que está sujeito para este seu percurso académico, sem poder utilizar equipamento de escrita e de acesso às TIC .

- Recluso E (toxicodependente) – Como não dispunha de rendimentos para usufruir de  serviços públicos  essenciais,  fez uma  ligação  clandestina  à  rede pública de água. Apanhado neste crime, foi condenado a pagar € 1.800 de multa, convertíveis em 300 dias de prisão. Como não tinha os € 1.800 para pagar a multa, está a cumprir os 300 dias de prisão que vão custar ao Estado cerca de € 15.000, pois um recluso custa, em média, cerca de € 50 por dia. E, entretanto, como estão a viver a esposa e o filho? Que futuro se prevê para a família?  

- Recluso F – Encontrei uma senhora a sair da visita semanal de sábado à prisão, com ar triste, abatido e de mágoa evidente. Perguntei-lhe se necessitava de ajuda, respondendo-me que estava preocupada com o seu filho a cumprir pena, a que se seguiu uma conversa amiga. Relatou-me que o seu filho tem tido problemas psiquiátricos desde criança, com manifestações de agressividade para com ela e para com o pai, que iam aguentando tudo pois sentiam como seu dever nunca abandonarem o filho, confiados que, um dia, ele recuperaria a razão, apesar de serem pobres e sem meios para grandes tratamentos. Na última vez o filho agrediu-os e obrigou-os a sair de casa, o que os forçou a chamar a polícia com o objectivo de lhes permitir o regresso a casa e de provocar o tratamento do filho num estabelecimento de saúde adequado. A polícia deteve o jovem, acusando-o de violência doméstica, apesar dos pais declararem não querer apresentar queixa mas, apenas, que o seu filho fosse tratado. No entanto, como a violência doméstica  é  crime público,  o jovem foi julgado e condenado a quatro anos, sendo considerado inimputável  e  a pena a ser cumprida em estabelecimento psiquiátrico prisional. E, agora, lá vão os pais, todas as semanas, visitar o seu querido filho, com a consciência pesada pelo facto do seu filho estar na prisão por culpa deles, já que nunca deviam ter chamado a polícia. Pensavam que ele seria levado para tratamento hospitalar mas nunca para a prisão. Carregam esta cruz com tristeza e mágoa mas com amor incondicional pelo seu filho.       

Recluso G – Encontra-se a cumprir penas sucessivas que lhe foram aplicadas num total de 51 anos e 8 meses (após reclamações do recluso foram reduzidas para um total de 38 anos e 2 meses). Está preso há 17 anos, sem ter tido qualquer licença jurisdicional (precárias), sempre passados dentro da prisão. Muitas entidades conhecedoras da situação consideram que esta situação, que pode conduzir à prisão perpétua, é inaceitável e viola o disposto na Constituição da República Portuguesa. Este caso já tem sido tratado por alguns órgãos de comunicação social, tendo tido um programa específico na SIC, na rubrica “Vidas Suspensas”. O ex-Diretor Geral da Direção Geral da Reinserção e Serviços Prisionais comprometeu-se a apresentar uma proposta legislativa que solucione a situação dentro do quadro constitucional e do Código Penal que prevê a pena máxima de 25 anos. Aguarda-se tal proposta e, enquanto isso não acontece, o recluso continua sem saber se algum dia sairá da prisão.

A maioria destes reclusos estão presos, ou passaram pelas prisões, devido a problemas com drogas, problemática esta que está na origem de mais de 80% dos presos em Portugal. 

Agradecendo a consideração pela permissão deste prólogo, não posso deixar de iniciar a minha intervenção protocolar sem agradecer, sensibilizado, a escolha da O.V.A.R. - Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (Obra Especial do Conselho Central do Porto da Sociedade de S. Vicente de Paulo) para ser homenageada e felicitar vivamente a organização deste evento “Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade, Terra Justa”, colocando Fafe como exemplo na divulgação dos mais elevados direitos humanos, assim como por trazer para a consciência colectiva a necessidade de pensar sobre valores base da convivência humana em clima fraterno e solidário, procurando alertar, provocar  e  envolver  as  pessoas a  refletir  sobre  a  importância  das causas  e valores da humanidade, fazendo jus à muito afamada “Justiça de Fafe”. E aqui surgem, já, duas questões: Que tempo é este em que vivemos quando causas e valores da humanidade como a solidariedade, a fraternidade, a caridade e o amor ao próximo, continuam a ser valores merecedores de homenagem e não atributos correntes na prática rotineira de todos os seres humanos? Que tipo de sociedade é esta em que vivemos que substitui esses valores pelo hedonismo, egoísmo, vingança e ódio?

 No passado dia 10 de Dezembro de 2018, aquando da atribuição do prémio atribuído pela Assembleia da República “Direitos Humanos 2018”, tive ocasião de referenciar, sucintamente, os atropelos à dignidade humana vividos nas prisões portuguesas.  Permitam-me  que  os  repita aqui, já  que a gravidade de  que se revestem impõe que os tenhamos presentes, tendo em conta de que as situações referidas diferem dum estabelecimento prisional para outro estabelecimento prisional. (…)

E poderia continuar a acrescentar outras situações que são atropelos aos referenciais de direitos humanos. Os organismos de direitos humanos das Nações Unidos e do Conselho da Europa são claros nos seus relatórios sobre as violações de direitos humanos nas prisões. O Estado de Direito não pode ficar à porta das prisões.

Ainda, recentemente, em artigo publicado no Jornal Expresso, pelo psicólogo Mauro Paulino, foi divulgado que “a prevalência de diagnósticos psicopatológicos entre reclusos é quatro vezes superior à da população em geral, com destaque para perturbações da personalidade, designadamente anti-social, estado-limite, paranóide e narcísica. (…) Os reclusos tendem a desenvolver a denominada máscara prisional, quer a nível emocional, quer a nível comportamental, o que pode originar uma instabilidade emocional crónica e debilitante nas interações interpessoais com reflexo na intervenção a realizar. A vivência destes indivíduos é, por vezes, caracterizada por vários percursos criminais, com associação a culturas e normas morais desviantes, que servem de base às relações de poder e de interesses instituídas. Tomem-se como exemplos os diversos negócios que se desenvolvem, uma vez que todos os produtos servem para a troca, para exercer controlo, como sucede com o tráfico de droga ou a compra de tecnologias de comunicação, que podem, inclusive, servir de meio para que o recluso continue a intimidar as suas vítimas no exterior. A sobrelotação é outra variável a considerar, podendo originar uma perda de controlo por parte da administração prisional e o aumento do perigo de vida para o staff e reclusos. Ao nível dos serviços clínicos, o excesso de pessoas por técnico representa uma real limitação de atuação terapêutica, sem a possibilidade da implementação de um trabalho psicoterapêutico mais efetivo, dado o rácio técnico/recluso. Neste quadro surge, não raras vezes, a frustração entre os reclusos por terem inevitavelmente menos possibilidade de acesso a outros serviços, incluindo as ocupações (escola, trabalho), o que contribui para o aumento de competição e sintomatologia diversa. Ainda que os serviços de vigilância procurem supervisionar a violência, a verdade é que aqueles também denunciam a falta de recursos humanos no exercício de funções e que as agressões existem e provocam medo, podendo ocorrer a construção artesanal de instrumentos e armas que podem provocar ferimentos graves e mesmo a morte. A isto associa-se a complexidade dos negócios ilícitos já citados, os roubos, a própria monotonia e a manutenção de relações de poder, tendo-se aqui em consideração variáveis como o número de anos preso, o tempo que passou em instituições penais, o tipo de crime e a idade da primeira detenção.”

O que se passa hoje nas prisões portuguesas, como instituições retrógradas, medonhas, arcaicas, medievais e violentas, é o reflexo da sociedade em que vivemos. Já começa a ser lugar comum caracterizar o actual modelo de sociedade como alienada, violenta, egoísta e vingativa, existindo pequenas bolsas de resistentes que continuam a querer implementar o modelo humanista construído na segunda metade do século passado, de que o Papa Francisco tem sido exemplo destacado. Assiste-se nas relações sociais, em muitas famílias e em muitas escolas, à prática dum clima de repressão, ódio, intolerância, escravatura e medo. Como exemplo pode-se atentar nos indicadores divulgados, anualmente, pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, que nos informam estarem a ser acompanhadas,  nestas  comissões,  mais de 70.000 crianças e jovens por ano. E a sociedade assiste, impávida e serena, a esta catástrofe! O futuro das prisões está garantido pois muitas destas crianças e jovens têm o seu destino apontado desde muito cedo, havendo necessidade urgente de, na área da justiça juvenil, se repensar o processo tutelar educativo, o funcionamento dos centros educativos e o Estatuto do Aluno e Ética Escolar que quase parece um Código de Penas para crianças estudantes.

Por outro lado, a dimensão escandalosa da pobreza em Portugal, resultante dos baixos salários e pensões, assim como da precariedade crescente, constitui um grande contributo para o número elevado da população prisional, já que a esmagadora maioria dos reclusos são pobres, a quem a tentação do crime é mais difícil de resistir, pois, como disse o poeta Millôr Fernandes “Ser pobre não é crime, mas ajuda muito a chegar lá”. A pobreza existente em Portugal, país da U.E., espaço que se diz desenvolvido, é um escândalo e gerador da prática de atos anti-sociais.

Como corolário desta situação, em 31 de Dezembro de 2018 tínhamos 12.867 reclusos a cumprir penas de privação da liberdade, sendo cerca de 70% superiores a 3 anos de prisão, e em 31 de Dezembro de 2017 havia 33.143 pessoas a cumprir penas e medidas na comunidade na área penal, das 51.413 condenadas nesse ano e dos cerca de 340.000 crimes registados. Esta dimensão coloca-nos nos países da U.E. com maiores taxas de pessoas em cumprimento de penas e medidas punitivas. Temos de nos afastar, decididamente, da afirmação do médico psiquiatra Miguel Bombarda que, há um século atrás, declarou “A Inquisição fazia mortos mas a Penitenciária faz doidos.” 

Com este quadro aterrador é urgente uma mudança profunda, com o entendimento sobre a prevenção da criminalidade como caminho para a abolição das prisões, invertendo a tendência para aumentar o leque de casos e comportamentos humanos classificados como crimes puníveis com penas de privação da liberdade. Como exemplo, podemos atentar na problemática das drogas, que estimo em ser responsável por mais de 80% dos crimes cometidos pelos reclusos em cumprimento de pena, tendo sido condenadas, em 2018, cerca de 8.000 pessoas por questões relacionadas com drogas, além das que foram condenadas por crimes contra as pessoas, contra o património e contra a propriedade que, na maioria dos casos, se destina a obter meios que permitam o acesso às drogas. Tenhamos em consideração que, ainda em meados do século passado, era inexistente, ou quase residual, a sua figuração nos normativos penais. E atente-se nos exemplos que recomendamos aos nossos alunos de figuras famosas da literatura, das artes plásticas, da música e do desporto, que reconhecemos como personalidades relevantes, apesar de terem tido comportamentos e contactos com drogas que, hoje, são puníveis pela comunidade. Além da cegueira que é a não criminalização, com perda da liberdade, do consumo de drogas, não querendo ver que aceitando o consumo tem de se aceitar a sua produção e comercialização. Logo, há que considerar uma nova política de drogas, enquadrando legalmente a sua existência, desde a produção ao consumo, simultaneamente com uma grande campanha de sensibilização para os efeitos das dependências e suas consequências, a exemplo do que já foi, e está a ser, feito para o tabaco e para o álcool. Os meios humanos e financeiros adstritos ao combate às drogas, desde as polícias às prisões e às instituições cujo modelo de negócio assenta nesta problemática da droga e seu tratamento, possibilitam a feitura dessa grande campanha de sensibilização.

Excelentíssimas entidades presentes. Minhas senhoras e meus senhores

 Celebrou-se em 10 de Dezembro de 2018 o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No próximo dia 5 de Maio o Conselho da Europa também celebrará igual aniversário. Há 70 anos os nossos pais e os nossos avós definiram os grandes valores civilizacionais que deveriam estar presentes na vida de todos nós, tendo os nossos Governos assinado os tratados e convenções que nos obrigam a respeitar esses valores. Setenta anos passados continuamos a assistir ao desrespeito desse legado, pelo que deveríamos sentir vergonha pela nossa incapacidade e indiferença.  É tempo de todos nós nos empenharmos em praticar, quotidianamente, o reconhecimento da dignidade estabelecido no artº 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, considerando o direito à liberdade como valor absoluto.

 

Este evento dedicado às grandes causas e valores da humanidade tem importância  relevante  numa  nova  dinâmica  para  se  inverter  o  caminho  de retrocesso civilizacional que temos vindo a viver, pelo que reforço as felicitações   pela   sua   realização.  Temos   de   reconstruir  as   bandeiras   que simbolizam a humanização duma sociedade com mais fraternidade e não maior egoísmo, com mais concórdia e não mais conflitos, com mais igualdade e não maior desigualdade, com amor e não com ódio, com mais humanidade e não maior desumanidade.

Tenho consciência de que o ser humano é imperfeito e, como tal, propenso a cometer erros, mas sem que tal tenha que ter como consequência a perda da liberdade. A prevenção da prática de atos anti-sociais (prevenção do crime) tem de ocupar lugar de grande importância na formação do carácter das pessoas, seja nas escolas, nas famílias, nos órgãos de comunicação social e na vida em sociedade.

Ainda, há poucos anos, passou nas salas de cinema o filme “I Daniel Blake” que retrata alguns aspectos da sociedade desumana em que estamos inseridos. Recomendo vivamente o seu visionamento a quem ainda não o fez. Eu não quero fazer parte de quem não vê, de quem não ouve, de quem não lê, e não quero ignorar, como nos exortou a poetisa Sofia de Melo Breyner Andresen, de quem comemoramos o centésimo aniversário do seu nascimento. Sendo eu um defensor da liberdade e, como tal, da abolição das prisões, quero ter a esperança de que o caminho para tal se concretize fruto da pressão de iniciativas como esta.

(…)

Este excerto da intervenção proferida em 2019 mantém atualidade em 2024.

O objectivo da nossa missão de voluntariado é bem claro: semear a paz e a esperança, permitindo o sonho dum mundo melhor que, infelizmente, está cada vez mais arredado do modelo de sociedade que se está a implementar neste início do século XXI. Atentemos na afirmação de Alexandre O’Neil: “E defendo-me da morte povoando de novos sonhos a vida”. Será um sonho não querermos os reclusos fechados, nos vários sentidos, mas abertos e disponíveis para com todos nos caminhos do mundo, abertos e disponíveis para com tudo que os faça crescer entre os povos, com justiça, entreajuda fraterna e a verdadeira paz? Neste sentido, continuarei a pedir a todos os que me rodeiam para reflectirem no lema desta Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos, extraída do evangelho segundo S. João: “ Quem nunca errou que atire a primeira pedra”.

O arrepiar do caminho que nos está a levar para um beco sem saída, que não reinsere os delinquentes nem assegura a reparação às vítimas (estas são duplamente vítimas – do crime que as afectou e deste sistema de justiça), tem de passar pela prioridade à diminuição da conflituosidade, ao invés do que se tem passado  em que  a  prioridade foi dada aos meios repressivos. A sucessiva dotação de mais meios para a repressão – mais tribunais, mais magistrados, mais oficiais de justiça, mais prisões, mais guardas prisionais, mais polícias, mais esquadras, mais multas e mais pesadas, etc… -  não tem tido resultados. Se este reforço de meios fosse dedicado a uma política assumida de prevenção da conflituosidade na sociedade, os resultados seriam muito melhores, em todos os sentidos. A aposta na repressão nunca, ao longo da história, foi o caminho para uma sociedade melhor. Mesmo na actualidade, nos países em que o sistema penal é mais repressivo (China, Rússia, Estados Unidos da América) é onde se verifica maior taxa de criminalidade e de reclusão. Logo, o modelo repressivo não  é  dissuasor  da  prática criminosa,  quase parecendo provar-se o contrário; quanto maior é a repressão maior é a taxa de criminalidade. Temos de adotar o lema “Por um mundo sem cárceres”. Temos de colocar os valores da liberdade,  igualdade e fraternidade como centrais na nossa relação para com os outros. Sobre a atual situação do sistema prisional tenhamos em conta declarações de altos responsáveis políticos com responsabilidade na área da justiça:

- O sistema penitenciário clássico falhou os seus propósitos - Dr. Alberto Costa Ex-Ministro da Justiça.

- Se o inferno existe ele está nas prisões – Dr. Alberto Martins - ex-Ministro da Justiça.

- As prisões são um absurdo. Um absurdo, por enquanto necessário, mas um absurdo. E só numa lógica de absurdo, já ela uma aparente contradição, é possível entendê-las e aceitá-las. - Dr. Álvaro Laborinho Lúcio – Ex-Ministro da Justiça e Juiz Conselheiro.

- A experiência dos últimos 200 anos tem sido um fracasso. (…)  A prisão não reinsere; por vezes fomenta a própria criminalidade.  Dr. Germano Marques da Silva - Professor de Direito Penal.

- A cadeia é um lugar injusto. (….) Parte de um tipo de Estado que, com ela, busca fins de repressão e submissão (…) A cadeia tal como a conhecemos não foi inventada para curar ou reabilitar (…).  Pe. António Correia - Capelão Prisional do EPPF.

- “O condenado que entra numa penitenciária é como uma mercadoria que se arrecada num armazém e, pouco a pouco, vai entrando no abismo dos malditos, dos ex-homens, com os seus conflitos e farrapos de tragédia (…) . Emídio Santana - Político, Ensaísta e ex-Recluso.

 A O.V.A.R. – Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos revê-se nos ideais do 25 de Abril de 1974 de liberdade e justiça social. Em 1974 tínhamos menos de 3.000 presos com uma população de cerca de 9 milhões de habitantes. Hoje, com uma população de cerca de 10 milhões temos mais de 12.000 presos e 30.000 pessoas a cumprirem penas e medidas na comunidade. Por outro lado, o volume elevado de processos nos tribunais, nas áreas, cível, fiscal, administrativa e criminal, que se arrastam em apreciação e em execução há longos anos, torna necessária uma amnistia/perdão de penas, de aplicação ampla, de âmbito generalizado e de dimensão significativa. Isto contribuirá para apagar uma mancha negra no regime democrático. 

- Recentemente, a proclamação da Bula “Spes non Confundit”, pelo Papa Francisco, no seu ponto 10 veio trazer uma enorme ajuda ao nosso propósito de que a Assembleia da República aprove uma amnistia/perdão de penas, ao propor aos Governos que, neste Ano Jubilar, tomem iniciativas sob formas de amnistia ou de perdão da pena, que ajudem as pessoas a recuperar a confiança em si mesmas e na sociedade, anunciando que irá abrir uma “porta santa” numa prisão. Os pilares da Igreja Católica do perdão e misericórdia estão aqui.

- A política que tem vindo a ser seguida de repressão/medo/punição não está a ter êxito. Porque não mudar para a prevenção da criminalidade, diagnosticando e eliminando as causas dos crimes?

Desejamos que da discussão desta petição possam sair fortes contributos para uma nova visão do sistema prisional em Portugal, substituindo o castigo, o ódio e a vingança pela prevenção dos atos anti-sociais e pela justiça restaurativa, com tradução em medidas concretas, permitindo que o Estado de Direito viva nas prisões, enquanto não são abolidas, e sejam respeitados os Direitos Humanos, de cujos referenciais jurídicos Portugal é Estado-parte.

Esta petição que se encontra na Assembleia da República tem de ir além da sua apreciação formal no plenário, obrigatória por ter sido subscrita por mais de 7.500 pessoas, havendo esperança de que deputados apresentem projetos de lei que permitam a aprovação de uma amnistia/perdão de penas. 

Em síntese:

- Em 1 de junho de 2024 Portugal tinha 12.301 pessoas presas a cumprir pena de privação de liberdade e cerca de 30.000 a cumprir penas e medidas na comunidade;

- Estes valores colocam Portugal num dos países com mais elevada taxa de presos por 100.000 habitantes (118 contra 73 na média da União Europeia);

- O tempo médio de cumprimento de pena é em Portugal de 31 meses contra 8 meses na União Europeia;

- Os processos nas áreas cível, administrativa, fiscal e criminal arrastam-se indefinidamente;  

- As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e o apelo do Papa Francisco devem ser tidos em conta, com ações concretas de clemência, de perdão e misericórdia;

- Pelo que deve ser aprovada uma amnistia/perdão de penas que coloque Portugal, pelo menos, na média da União Europeia, nas diferentes áreas do poder judicial. 

1 de Junho de 2024.

Manuel Almeida dos Santos – Presidente da O.V.A.R. - Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos – Sociedade de S. Vicente de Paulo - Porto

Nota: Após a apreciação no Plenário da Assembleia da República foi publicado o seguinte comunicado: 

Petição sobre amnistia/perdão de penas

 

Em 7 de Maio de 2024 foi apresentada, na Assembleia da República, uma petição pública de amnistia/perdão de penas, subscrita por 7.636 pessoas, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e da Bula do Papa Francisco para o Jubileu 2025. 

•      Síntese da petição:

•      - Em 1 de junho de 2024 Portugal tinha 12.301 pessoas presas a cumprir pena de privação de liberdade e cerca de 30.000 a cumprir penas e medidas na comunidade;

•      - Estes valores colocam Portugal num dos países com mais elevada taxa de presos por 100.000 habitantes (118 contra 73 na média da União Europeia);

•      - O tempo médio de cumprimento de pena é em Portugal de 31 meses contra 8 na União Europeia, fazendo com que, fundamentalmente, o que temos são presos a mais;

•      - Os processos nas áreas cível, administrativa, fiscal e criminal arrastam-se indefinidamente; 

•      - As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e o apelo do Papa Francisco devem ser tidos em conta, com ações concretas de clemência, perdão e misericórdia;

•      - Pelo que deve ser aprovada uma amnistia/perdão de penas que coloque Portugal, pelo menos, na média da União Europeia nas diferentes áreas do poder judicial.

 A discussão da petição teve lugar em 3 de Julho de 2025 e mereceu aceitação dos parlamentares dos partidos políticos PS, Livre, CDU, BE e PAN, tendo tido a rejeição dos partidos políticos PSD, Chega, IL e CDS/PP, pelo que a petição não teve sequência legislativa aprovada.  

Deste resultado, extrai-se a conclusão de que forças políticas que se reclamam com vínculos ao catolicismo rejeitaram a concretização prática da clemência, perdão e misericórdia (pilares da Doutrina Social da Igreja Católica), agindo em sentido contrário ao apelo do Papa Francisco constante do ponto 10 da Bula para o Jubileu 2025.

Triste sinal dos tempos!

terça-feira, 8 de julho de 2025

No Parlamento, venceu a ignorância e o populismo.

Publicação do jornal online 7Margens, com texto meu.

"No Parlamento, venceu a ignorância e o populismo.

O Parlamento debateu esta quinta-feira, 3 de julho, uma petição dinamizada por várias organizações [ver 7MARGENS] e um projeto de lei do Bloco de Esquerda que defendiam um perdão de penas e uma amnistia de infrações no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril. Apesar de o PS se ter mostrado disponível para apresentar também uma proposta caso existisse consenso entre as bancadas, a intenção foi inviabilizada pelo PSD, Chega, IL e CDS, que se mostraram contra a ideia.

Do nosso leitor e colaborador Manuel Hipólito Almeida dos Santos, presidente da Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (OVAR), recebemos o comentário que se segue feito logo após o final do debate.

" Coitadas das vítimas dos crimes.

Coitados dos reclusos que estão nas prisões.

Coitado do Papa Francisco que tanto é elogiado, mas não seguido.

Acabamos de assistir a uma sessão prenhe de demagogia e ignorância com protagonistas, alguns deputados da Assembleia da República, que não sabem o que fazer para diminuir as causas da criminalidade – pobreza, dependências, deseducação cívica, saúde mental, combate às desigualdades, etc.

Quantas vezes esses protagonistas entraram nas prisões sem prévio aviso e foram às celas e ao refeitório à hora das refeições; quantas vezes falaram com os reclusos em privado?

Em 2018 deram o prémio dos Direitos Humanos à nossa organização (Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos), mas não querem saber das nossas propostas.

Só sabem chamar de bandidos e criminosos, mas pouco fazem para acabar com os crimes, não querendo ver que os países em que as penas são mais longas e pesadas – como, por exemplo, a China, os EUA e a Rússia – são aqueles em que há mais criminalidade violenta, comprovando que a repressão e o castigo não têm efeito dissuasório na prática de crimes e só alimentam a vingança que torna infelizes as vítimas e os perpetradores dos crimes.

Declararam que a situação é má, mas que propostas apresentaram que tendem aproximar Portugal da média da União Europeia na duração das penas e do número de reclusos por habitante, e que tenham reflexos na melhoria da situação prisional?…

Manuel Hipólito Almeida dos Santos é presidente da Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos"

Nota: Neste debate sobre a petição de amnistia/perdão de penas, ficou patente uma grande contradição. As forças políticas menos envolvidas em militância católica apoiaram a ideia de um ato de perdão e misericórdia, enquanto as forças políticas que assumem ligações à Igreja Católica preferem a vingança e o castigo, esquecendo-se que, quando rezam o Pai-nosso, dizem: " ... perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido....". Bem disse o Papa Francisco: "É melhor ser ateu que católico hipócrita."

segunda-feira, 26 de maio de 2025

A Cerâmica do Douro e a sua História II

  A Cerâmica do Douro e a sua história - II

Manuel Hipólito Almeida dos Santos

Edição do Autor 

(As fotos constam da edição em papel)

Foto - Prato Gigante – Coleção Porto Património Mundial 

Foto - Prato Redondo Grande com frase emblemática

1 – Introdução

No ano dois mil ficou registado em livro o que foram os primórdios da existência da Cerâmica do Douro e os seus dez primeiros anos de vida, na publicação “A Cerâmica do Douro e a sua História 1989-1999”. Nela consta o seu processo de nascimento, os fundamentos para a sua criação e o período inicial de desenvolvimento.

Decorridos mais de trinta de existência, importa agora deixar registado o que foi o período posterior ao 10º de vida daquela que é a última fábrica de cerâmica tradicional da região Porto-Gaia. É de referir que a Cerâmica do Douro já procedeu à criação e recuperação de mais de 1.000 referências distintas de peças, que incluem os moldes e as diferentes decorações para cada peça.

Tal como se deixou expresso na publicação então editada, ao fim de dez anos de existência havia um cenário com as seguintes linhas marcantes:

- Afirmação da marca “Cerâmica do Douro”

- Reputação conseguida de produtos de alta qualidade.

- Requisitos técnicos de pastas, vidros e corantes dominados e estabilizados.

- Recursos humanos formados de qualificação elevada.

- Recuperação dos valores identificativos da cerâmica tradicional, nas formas e decorações.

- Constituição de um espólio artístico constituído por desenhos, livros, moldes, madres e formas de trabalho.

- Disponibilidade de equipamento fabril para a produção completa de produtos cerâmicos (modelação, olaria, cozedura, pintura, vidração, embalagem).   

- Produção de uma gama alargada de produtos de várias coleções.

- Existências de produtos acabados de valor significativo.

- Dificuldade na estabilização duma faixa de mercado apetente para esta gama de produtos de alto preço.

- Impasse na transferência das instalações para a zona histórica de V.N.Gaia, condição necessária para se dispor de instalações adequadas em termos de funcionalidade e imagem pública.

- Pouca disponibilidade institucional para apoiar a iniciativa de recuperação duma actividade tradicional de valores histórico-culturais relevantes.

- Existência de valores altos no passivo a curto e médio prazo, mas com cobertura folgada no ativo em imobilizado corpóreo (edifício fabril, equipamentos, espólio artístico e existências de produtos intermédios e acabados).

- Ameaças de execuções de credores institucionais (Caixa Geral de Depósitos –Segurança Social – S.S., Direção Geral dos Impostos - D.G.I. - Instituto de Emprego e Formação Profissional – I.E.F.P. -), sendo menos relevantes os outros valores em dívida a outros credores.

Foto - Gomil e Lavanda – Coleção Identidade Museológica

2 – P.E.R.E. – Plano Especial de Recuperação de Empresa

Chegado o ano de 2002 constatou-se a impossibilidade de manter a situação de instabilidade que o cenário atrás descrito demonstra. O apoio institucional necessário para a continuidade duma iniciativa de cunho marcadamente artístico e cultural não se materializava, ainda que se continuasse a assistir a declarações de intenção nesse sentido, e o estrangulamento financeiro exigia uma reestruturação que colocasse a Cerâmica do Douro na senda do seu objectivo inicial: contribuir para a manutenção duma actividade tradicional com interesse para a comunidade.

Assim sendo, no final do ano de 2002 a empresa requereu ao Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia a aprovação dum Plano Especial de Recuperação de Empresa (PERE nº 271/2002) que envolvesse os credores institucionais e a Câmara Municipal de V.N.Gaia na viabilização do projecto subjacente ao nascimento da Cerâmica do Douro. 

A forma como o processo decorreu é demonstrativa do pouco empenho que as instituições colocaram na viabilização da recuperação de empresas. 

Nomeado o Gestor Judicial (Dr. Joaquim Ribeiro) este rapidamente se apercebeu de que face aos valores em causa a continuidade da Cerâmica do Douro deveria ser assegurada, pelo que haveria de se encontrar o quadro de viabilização (é de enfatizar que a iniciativa de desencadear o processo de recuperação no Tribunal do Comércio não foi dos credores mas sim da própria empresa, situação rara na altura). 

Contactada a Câmara Municipal de V.N.Gaia na pessoa do seu presidente (Dr. Luís Filipe Meneses) de imediato este formalizou, por carta, o apoio da autarquia na transferência das instalações fabris para a zona histórica de Gaia, assim como assumiu o compromisso de aquisição de peças para ofertas institucionais.

 

O Governador Civil do Porto, Dr. Manuel Moreira, o Museu Nacional de Soares dos Reis e a Agência Portuguesa de Investimento, louvavelmente, também emitiram documentos de apoio. 

A posição da CGD (Caixa Geral de Depósitos), que já tinha iniciado um processo de execução no Tribunal Judicial de V.N.Gaia, foi no sentido de aprovar a recuperação desde que as garantias que possuía fossem mantidas (nomeadamente a renovação dos avales pessoais dos sócios iniciais e cônjuges). A S.S. (Segurança Social) teve, ao longo do processo, uma posição dúbia e titubeante, apesar do próprio Ministro (Dr. Bagão Félix) ter pessoalmente manifestado a opinião de apoiar a continuidade da empresa (foi esta mesma pessoa, na qualidade de Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, que inaugurou as instalações em 1989). A D.G.I. (Direção Geral dos Impostos, hoje denominada Autoridade Tributária), representada pelo Procurador da República junto do Tribunal do Comércio, condicionou a sua aprovação ao plano à apresentação de garantias no valor da dívida, acabando por aceitar o penhor mercantil de moldes e madres de peças em fabrico aprovado pelo Chefe do 2º Serviço de Finanças de V.N.Gaia. Só uma trabalhadora tinha créditos sobre a empresa, (Dra. Glória Felgueiras) e apoiava a sua recuperação. Os outros pequenos credores (BCP, ICEP e Tranquilidade) nunca compareceram no tribunal.

Todo o processo, que se desenrolou no Tribunal do Comércio de V.N.Gaia, foi recheado de peripécias inverosímeis. A primeira votação da proposta do Gestor Judicial, que apontava para a recuperação, foi rejeitada com os votos contra da DGI e da SS. O voto contra da DGI radicou-se no facto de ainda não estar constituída a garantia. De acordo com o quadro legal aplicável, esta decisão poderia ser reapreciada caso um dos credores requeresse nova assembleia. Sondados os credores apenas a SS aceitou proceder a tal requerimento, tendo entretanto sido constituída a garantia a favor da DGI. Na nova assembleia a SS mudou, inexplicavelmente, o seu sentido de voto, tendo a proposta de recuperação sido aprovada com o seu voto contra. Esta proposta continha as medidas de reestruturação financeira e gestão controlada, o que implicava a substituição da gerência durante a vigência das medidas (um ano), assentando na deslocalização das instalações para a zona histórica de V.N.Gaia, tendo em conta a disponibilidade manifestada por este município.

A proposta aprovada dispunha de critérios diferentes para cada credor:

- CGD: Pagamento a 10 anos, sendo os juros vencidos e vincendos pagos com dação em pagamento de peças do stock existente na fábrica;

- SS: Pagamento em 150 meses, com perdão de juros vencidos e pagamento de juros vincendos à taxa de 2,5%;

 - DGI: Pagamento capital e juros vencidos e vincendos em 5 anos.

- Trabalhadora: Pagamento em 10 anos, com perdão de juros vencidos e vincendos.

- Outros credores: Perdão de 50% do capital em dívida, com pagamento dos restantes 50% em 10 anos e perdão de juros vencidos e vincendos. 

Terminada a assembleia cada credor regressou à sua “casinha” sem tomar as decisões consequentes com a deliberação, nomeadamente a nomeação da gerência para o período de vigência das medidas aprovadas, continuando a responsabilidade pela vida da empresa a ser assumida pelo sócio da empresa, de forma a que não houvesse abandono das instalações. 

Como o plano aprovado não foi posto em prática, também a amortização dos valores em dívida nunca chegou a ser iniciada. A CGD não escolheu as peças para pagamento dos juros vencidos e vincendos nem, em conjunto com a SS e a DGI, nomearam a nova gerência para pôr em prática a proposta aprovada. À medida que iam exigindo à empresa o pagamento das amortizações da dívida, de acordo com o aprovado, obtinham como resposta que se aguardava que nomeassem a gerência como estavam obrigados. Em consequência, e com o decorrer do tempo, a CGD acabou por abater a dívida ao seu ativo e deixou de reclamar o pagamento. A Segurança Social declarou extinta a dívida. A DGI continuou a insistir no pagamento mas sem dar resposta à sua obrigação de nomear nova gerência, pelo que, com o passar dos anos, a maior parte dos processos de dívida foram prescrevendo. Os restantes credores nunca reclamaram os seus créditos. 

Foto -  Pote Facetado da coleção 500 anos de descobrimentos

Quadro de pessoal no ativo à data da apresentação do P.E.R.E.

Gerência – Manuel Hipólito Almeida dos Santos

Direção Fabril – Glória Felgueiras

Contabilidade e Gestão – Alexandra Martins  e Fernando Martins

Apoio jurídico/administrativo – Ana Cristina Santos

Modelação e moldes – Domingos Gouveia

Pintura:

- Chefe de equipa – Elsa Pinto

- Teresa Manuela

- Rosa Maia

- Isabel Silva

- Olaria – Natali Machado

- Fornos – Abílio Moreira

- Vidração – Ana Maria

- Auxiliar de serviços - Ana Moreira 


Foto -   Terrina Grande da coleção de identidade museológica 


Atividade Subsequente à Aprovação do P.E.R.E.

Apesar do impasse na execução do P.E.R.E., continuaram as diligências para a implementação do projecto subjacente à aprovação do processo de recuperação. Foi-se mantendo a operacionalidade fabril, com a ajuda louvável dalguns trabalhadores que, nas suas horas vagas, compareciam na fábrica produzindo novos modelos e peças que permitissem a continuidade da laboração, quer na manutenção da qualidade formativa dos recursos humanos, quer no uso dos equipamentos.

Por outro lado, continuaram-se as diligências junto da Câmara Municipal de V.N.Gaia, ainda sob a presidência do Dr. Luís Filipe Meneses, para a deslocalização das instalações, tendo, inclusivamente, a autarquia realizado o projecto de arquitectura para o espaço adjacente ao Corpus Christi. Com o projecto já terminado, operou-se um volte-face na disponibilidade, pela Câmara Municipal de Gaia, na utilização das instalações desse espaço, pelo que se gorou a transferência de instalações projectada.

 As diligências continuaram já na presidência do Dr. Eduardo Vítor Rodrigues, mas sem resultados, tendo-se, inclusivamente, verificado a constatação da ignorância e do desinteresse perante a importância histórica da cerâmica no património cultural de V.N.Gaia. As reuniões havidas com o presidente, Eduardo Vítor Rodrigues, e a vereadora da cultura, Paula Carvalhal, foram disso testemunho evidente, com, inclusivamente,  aspetos reveladores de desleixo e incompetência, como, por exemplo, na reunião havida em Fevereiro de 2020 a vereadora ter-me pedido novos dossiers, já que não sabia onde se encontravam os inúmeros dossiers e documentos entregues ao longo dos últimos 30 anos, sendo que alguns lhes tinham sido entregues a ela pessoalmente.   

Mas a importância da cerâmica na região é conhecida por quem tem alguma formação cultural. Disso é exemplo as muitas dezenas de notícias, reportagens e entrevistas realizadas sobre a Cerâmica do Douro. 

Além das centenas de reportagens realizadas desde a criação da Cerâmica do Douro, na imprensa, rádio e televisão, em Agosto e Setembro de 2020 o Jornal de Notícias publicou as seguintes reportagens:


Artigo no JN 23/08/2020

Última página do JN

 Jornal de Notícias - 18/09/2020

 

O último memorando entregue na Câmara Municipal de Gaia teve o seguinte conteúdo:

M E M O R A N D O

A  CERÂMICA  DO  DOURO  NA  IDENTIDADE  DA  REGIÃO DO  PORTO

1 – Objectivo

Dar continuidade a uma actividade tradicional, cujo berço, em termos regionais e nacionais, tem as suas raízes na região do Porto, participando na revitalização desta identidade.

2 - Motivação 

- Recuperação duma actividade tradicional;

- Forte capacidade de atracção turística, sem dependências externas;

- Participação no turismo cultural, integrado na rede nacional “Rotas da Cerâmica”;

- Criação dum espaço emblemático, como cartão de visita da cidade;

- Promoção dos valores de imagem e cultura nacionais;

- Introdução dum factor de inovação na oferta de espaços atractivos;

- Acréscimo dum evento permanente que figurará nos roteiros e guias de visitas;

- Apoio aos estabelecimentos de ensino, com a possibilidade de realização de visitas de estudo;

- Ocupação útil de pessoas qualificadas, proporcionando a criação de postos de trabalho de níveis de qualificação IV,V,VI e VII;

- Indução duma dinâmica económica e de emprego em sectores envolventes;

- Destino útil de bens e conhecimentos existentes.

3 – Características tipo dum projecto a desenvolver 

- Fábrica-atelier de cerâmica tradicional, em porcelana pintada à mão, de alto fogo, respeitando a identidade histórico-cultural da cerâmica da região do Porto;

-    Disponibilização de gabinete de criação para artistas temporários;

- Circuito de visitas percorrendo todo o itinerário fabril, desde a preparação da pasta, olaria, vidração, cozedura, pintura até à escolha final;

- Possibilidade dos visitantes pintarem a sua própria peça;

- Espaço museológico que permita a perceção dos valores identificativos desta atividade tradicional;

- Sala de exposições das diversas coleções produzidas pela Cerâmica do Douro;

- Loja de venda ao público.

4 – Disponibilidades existentes

- Núcleo de recursos humanos com formação qualificada;

- Trabalho prévio de estudo histórico-museológico efetuado;

- Desenhos, modelos, madres e moldes de trabalho que permitem a produção imediata de peças para venda;

- Stocks de produtos já prontos a comercializar;

- Matérias primas já ensaiadas e em utilização corrente;

- Equipamentos e acessórios de produção;

- Imagem e qualidade de marca com reconhecimento significativo.

5 – Necessidades

-    Apoio financeiro para o desenvolvimento inicial do projeto: Cerca de   € 1M.

-    Espaço infraestruturado com área de 2.000 a 4.000 m2.;

-    Instalações para 20 postos de trabalho a criar;

-    Circuito comercial para vendas de cerca de € 2M/ano.

6 – Financiamento

- Cedência, por  parte  da  Cerâmica  do  Douro Lda. e do seu fundador,  do Know How  e património constituído por modelos, madres, moldes, equipamentos peças já produzidas e outros meios de produção, no valor superior a 2,5 milhões de euros;

- Acesso a fontes de financiamento junto do IAPMEI e IEFP;

- Acesso a fontes de financiamento de programas comunitários adequados;

- Participação de outras entidades em moldes a acordar .

7 – Cooperação institucional com o Município/Entidade 

-     Integração do Município ou entidade em moldes a acordar.

 -     Inserção deste projeto na dinâmica de desenvolvimento do Município e  da Região;

 -     Estabelecimento dum protocolo regulando o funcionamento duma parceria que envolva competências, responsabilidades, contrapartidas  e prazo de vigência. 

-    Está já constituída notarialmente a Fundação Cerâmica do Douro, sob cuja égide poderá vir a apoiar o novo projeto de desenvolvimento.

Janeiro de 2019


Iguais démarches foram feitas junto dos municípios do Porto e Gondomar, sendo estudadas várias hipóteses mas nunca concretizadas.

Entretanto, a Autoridade Tributária (AT) ia executando os processos que ainda não estavam prescritos, os quais foram objeto de oposição por parte da Cerâmica do Douro, com a alegação de que os credores não tinham dado cumprimento à decisão judicial que aprovou o P.E.R.E.. Mas o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAFP) não considerou as nossas objeções, pelo que as oposições foram consideradas improcedentes, permitindo que a AT desencadeasse a penhora e venda de bens. Felizmente, o Chefe do 2º Serviço de Finanças foi sensível à nossa objeção da venda das instalações fabris, já que tal implicava a delapidação de todo o património artístico lá existente, a anulou a venda que chegou a estar marcada, optando por vender peças acabadas existentes em stock. Só que os valores a que foram adjudicadas era tão baixo que quase nada abatia à dívida. Em 01/07/2015 o Sr. Luís, chefe do contencioso do 2ª Serviço de Finanças de VNGaia disse que enquanto houver situações em contencioso não procede a quaisquer vendas.

O valor mais elevado em dívida referia-se à amortização do empréstimo concedido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, que, também, tinha  sido objeto de oposição no ano 2000, junto do TAFP. Passados 16 anos (em 2016) o Serviço de Finanças alegou não existir oposição pelo que ia dar início à execução fiscal, já que não encontravam o processo na sua posse nem no TAFP. Tivemos de ser nós a exibir o duplicado autenticado em nosso poder para admitirem que tinham extraviado o processo, pelo que só nessa altura o enviaram para o TAFP, cumulativamente com novo processo contra o sócio Manuel Hipólito Almeida dos Santos como devedor solidário. Ambos os processos foram objeto de oposição pela nossa parte, tendo a 1ª instância dado razão à AT o que motivou o nosso recurso para o Tribunal Central Administrativo Norte cuja decisão aguardamos.    

Em 2023 a CGD vendeu os créditos sobre a Cerâmica do Douro à empresa “abutre” Whitestar – Hefesto” que moveu uma ação sobre a Cerâmica do Douro e os fiadores (Manuel Hipólito Almeida dos Santos, esposa e filha). O valor que a CGD tinha inscrito na CRC do Banco de Portugal era de cerca de 100.000 euros, mas o valor pedido pela Hefesto foi de 564.030,52 euros (pois contaram juros de mais de 20 anos). Contestamos a ação, alegando, entre outras razões, a prescrição da dívida e o tribunal deu-nos razão. A Hefesto recorreu para o Tribunal da Relação mas este manteve a decisão da 1ª instãncia.  

Foto - Jarrão Grande – Coleção Identidade Museológica

3 – Trabalhos Relevantes

Na publicação referente aos dez primeiros anos de vida da Cerâmica do Douro encontram-se já explicitadas as bases que nortearam o aparecimento das colecções lançadas até 1999. Em todas as criações da Cerâmica do Douro existe a dedicação, o talento e a inspiração do Prof. Escultor Laureano Riba Tua. 

Em síntese, até agora foram efectuados os seguintes trabalhos relevantes:

- 1989 - Ensaios de pastas, vidrados e cores.

Início da recolha museológica de formas e decorações.

- 1990 - Lançamento da linha de identidade museológica.

Início da produção.

- 1991 - Lançamento da linha de azulejaria.

Lançamento da linha decorativa (modelo original – decorações 

            Douro, Aldoar e Grijó).

              -        Lançamento da coleção “Património Paisagístico e 

            Arquitectónico”.

    -       Lançamento da coleção “Temas de Gaia”.

-     1992 -       Início da produção da da peça comemorativa dos 450 anos da 

chegada dos portugueses ao Japão.

-     1993 - Lançamento da linha utilitária (modelo Gabriela).

            Produção do pavimento e painéis para Bristol.

- 1994 - Lançamento da coleção “Casa do Infante”.

-     1995 - Lançamento da coleção “Brasões de Famílias Portuguesas do 

Século XIV”.                    

-     1996 - Lançamento da linha “Linguagem Gestual”.

           Lançamento da linha de esculturas.

- 1997 - Lançamento da coleção “Ateneu Comercial do Porto”.

    -     Lançamento da coleção “ Formas populares”. 

- 1998 -     Lançamento da coleção “Portugal/98 - 500 Anos de 

                  Descobrimentos”.

- 1999 - Lançamento da coleção “Reflexos do Tempo”.

- 2000 - Lançamento da coleção “Porto – Capital Europeia da Cultura”.

   -       Lançamento da coleção “Clube de Coleccionadores”.

- 2001 - Lançamento da coleção “A Cerâmica e a Imagem das Palavras”.

   - Lançamento das peças comemorativas da passagem do escudo 

para o euro.

- 2002 - Lançamento da coleção “Douro – Património Mundial”.

-     2003 -      Lançamento da coleção “As Grandes Causas Postas em Causa”.

-     2005/6 -  Curso de Conservação e Restauro do Património Museológico e 

                        Arquitectónico (Promovido pela Casa-Museu Teixeira Lopes).

-     2014    -    Painel de azulejos para a Universidade de S. Paulo reproduzindo a primeira gravura conhecida da visão à chegada dos portugueses ao Brasil  (aufpício et benefício). 

Resta agora proceder à explicação das coleções e trabalhos do período posterior a 1999. Será de referir que neste período, além das novas coleções que a seguir se explicitarão, se deu continuidade ao desenvolvimento das coleções anteriormente lançadas, com a criação de novos modelos e decorações.

Coleção “Porto Capital Europeia da Cultura”

Tendo a Unesco declarado que em 2001 a cidade do Porto seria capital europeia da cultura, procedemos à criação de modelos e decorações que se integrassem naquilo que de mais significativo a cidade do Porto poderia exibir como sustentáculo a esse reconhecimento cultural. Tal trabalho começou a ser delineado em 1999 e o seu lançamento ocorreu em 2000, de forma a que a exposição pública dos trabalhos estivesse patente logo no início de 2001 por ocasião do arranque do evento.

A colecção global, com um total de 136 peças, consta das seguintes colecções específicas: 

- Coleção: Arquitectónica/Escultórica.

- Coleção:  As Figuras Ilustres do Porto e os Referenciais da Cidade.

- Coleção: Os Eléctricos do Porto  na Cerâmica Tradicional.

- Coleção: Aspectos do Porto Arquitectónico/Escultórico. 

- Coleção: Templos Religiosos do Porto. 

- Coleção: A Cerâmica do Passado no Presente do Porto: Reflexos do Tempo.

- Coleção:  Paisagens do Porto.

- Coleção:  Jogo de xadrez com figuras populares.

- Coleção: O Porto Popular. 

- Coleção: Coretos do Porto.

- Colecção: A Azulejaria no Porto.

Esta coleção dá seguimento significativo à criação de peças de grandes dimensões e de cariz popular, que tendo sido uma característica da cerâmica tradicional desta região, quase tinha sido abandonada pelas fábricas do século XX, tendo em conta que o mercado florescente foi o da cerâmica utilitária em detrimento da cerâmica ornamental de grandes dimensões. Acresce, ainda, que a mecanização da produção operada a partir do início do século XX e a utilização de fornos contínuos de grande produção com câmara baixa, retirou das gamas de produção peças com dimensões avantajadas e formatos de difícil mecanização. O facto de a Cerâmica do Douro utilizar um processo produtivo tradicional permitiu esta recuperação de peças grandes, sendo de salientar que, algumas delas, exigiam o trabalho conjunto de três oleiros para o seu manuseio, já que, por exemplo, alguns moldes pesavam, quando cheios, mais de 100 kg.

Foto - Pote Facetado Grande – Imagens do Porto – Praça da Liberdade

Fotos ;       Pote Facetado Pequeno       Prato Redondo Grande 

     Pelourinho do Porto         Bairro da Sé - Porto

                                   Caneca com Bico 

Ponte de D. Maria Pia - Porto

                 Boião de Farmácia Grande - Monumento da Guerra Peninsular – Rotunda da Boavista - Porto

                    Jarrão Conventual Grande -   Pedro Homem de Melo - Porto

             Painel de azulejos – Palácio de Freixo - Porto

  Pote Grande - Ponte de D. Maria Pia - Porto

     Taça Grande com Asas -  Elétrico do Porto

Coleção “Do Escudo ao Euro


Tendo em conta que no final de ano de 2001 se concretizaria a passagem do escudo para o euro, foram lançadas duas peças comemorativas (dois canjirões de tamanho muito diferente com carranca e asa em figura feminina), simbolizando os aspectos mais relevantes desta alteração de moeda. A carranca pretende caracterizar o ex-presidente Mário Soares, grande paladino do aprofundamento da identidade europeia, tendo numa das faces do canjirão a visão do Portugal do escudo (povo rural e zé pacóvio) para a visão do euro (povo vaidoso e modernaço) A figura feminina na asa representa a ascensão da mulher que se acentuaria com a abertura à europa. 

                        

Coleção “A Cerâmica e a Imagem das Palavras”

Aquando da criação das peças para as coleções “500 anos de Descobrimentos” e “Figuras Ilustres do Porto” abriu-se a ideia de, também, materializar em peças cerâmicas personagens relevantes da história de Portugal identificando-as com frases, poemas ou expressões que as marcaram, desde o século XV até à atualidade.

A coleção é composta pelos seguintes temas e personagens:

-  Palavras do Amor e da Dor (Augusto Gil, Florbela Espanca, Cesário Verde, Camilo Castelo 

    Branco, Seixas Branco, Marquesa de Alorna)

- Palavras da Saudade e da Nostalgia (Eça de Queirós, Egito Gonçalves, Mário de Sá

   Carneiro, Ruy Belo, Bocage, António Nobre)

- Palavras de Intervenção (Zeca Afonso, Ary dos Santos, António Gedeão, Manuel Alegre, 

   Natália Correia, Eugénio de Andrade)

- Palavras da Sabedoria (Almada Negreiros, Herberto Helder, Afonso Botelho, P. António

   Vieira, Leonardo Coimbra, Anónimo LRT) 

- Palavras do Povo (António Aleixo, António Ribeiro Chiado, Gil Vicente, Guerra Junqueiro,  

   Bento da Cruz, Anónimo MHAS)

- Palavras de Testemunhos do Tempo (Emídio Santana, Virgínia Moura, José Saramago, 

   David Mourão Ferreira, Pêro Vaz de Caminha, D. António Ferreira Gomes)

- Palavras Emblemáticas (Maria Isabel Barreno, Matias Aires, Anónimo LRT, António Manuel

   Couto Viana, Vitorino Nemésio, Albino Forjaz de Sampaio)

- Palavras da Utopia (Agostinho da Silva, Alexandre O’Neil, Mário Dionísio, José Gomes 

   Ferreira, Mário Cesariny, Al Berto)

- Palavras Épicas (António Sérgio, Luís de Camões, Fernando Pessoa, Fernão Mendes Pinto, 

   José Régio, Jorge de Sena)

- Palavras da Cidade e da Terra ( Pedro Homem de Mello, Sofia de Melo Breyner Andresen, 

   Almeida Garrett, Miguel Torga, Teresa Reis, Agustina Bessa Luís)


Esta coleção teve um catálogo próprio, com imagens das peças e dos esboços na sua criação, tendo sido exposta em vários locais (A exposição em Alijó foi inaugurada pelo Presidente da República Dr. Jorge Sampaio).

Foto - Esboço da criação de uma decoração

Fotos:                   

  Covilhete Redondo Grande               Pote Facetado

       António Gedeão            Natália Correia

Eles não sabem nem sonham        Os previdentes e os presidentes tomam de ponta

Que o sonho comanda a vida        Os inocentes que têm pressa de voar

E que sempre que o homem sonha        Os revoltados fazem de conta  fazem de conta

O mundo pula e avança        Os revoltantes fazem contas de somar.

Como bola colorida entre as mãos duma criança

       

Prato Redondo Grande de Aba Larga Prato sem Aba

       Eugénio de Andrade Ary dos Santos

É urgente o amor Levanta-te meu povo, não é tarde

É urgente um barco no mar Agora é que o mar canta é que o sol arde

É urgente destruir certas palavras   Pois quando o povo acorda é sempre cedo.

Ódio, solidão, crueldade

Alguns lamentos,

Muitas espadas


Prato Redondo Grande de Aba Larga            Prato sem Aba

                 Egito Gonçalves           António Nobre

    A solidão é uma paisagem árida,     Depois a morte não te custa nada

    Uma perdida ilha rochosa,                   Porque a ela habituaste-te a dormir.

    Onde cada um de nós é um país secreto

    No fundo do horizonte.

                           

               Boião Bojudo Covilhete Redondo Grande

           Almada Negreiros       Afonso Botelho

    A opinião ...             Na fraternidade profana em que vivemos

    Abrange uma tal maioria             Só o acaso poderá permitir

    Que receio que ela impere por esmagamento.             Que a maioria coincida com o juízo de Deus

            Ou com a razão verdadeira.


Prato Redondo Grande de Aba larga Prato sem Aba

Leonardo Coimbra Cesário Verde

     O Homem foi criado em natureza       Porém, eu sei que tu, como um ópio

     Para se fazer em liberdade.                      Me matas, me desvairas e adormeces.

               

  Prato Oitavado                                    Boião Bojudo

Anónimo                                                 António Aleixo


O trabalho mede-se Sei que pareço um ladrão...

Pelo padrão de dignidade Mas há muitos que eu conheço

Mas há muitos que eu conheço Que, sem parecer o que são,

São aquilo que eu pareço.


                         

Boião Bojudo Covilhete Redondo Grande

         Virgínia Moura Augusto Gil


Nessa altura, muito jovem, embora já casada, Que quem já é pecador

Escolhiam-me para ir às cadeias levar coisas. Sofra tormentos... enfim!

Umas vezes era irmã, outras noiva, filha, parente, Mas as crianças Senhor,

Arranjava sempre uma saída Porque lhes dais tanta dor?!

                                                                                       Porque padecem assim?!

                 

        Prato Oitavado                   Pote nº 3    

David Mourão Ferreira                              Jorge de Sena

        Quem nos garante que estamos vivos? Natal de quê? De quem?

Que não somos somente o lixo O dos que se torturam

Da grande roda que nos esmaga. O dos que se torturam

E torturados são

                                                                                         Na crença de que os homens

                                                                                         Devem estender-se as mãos?

          

            Pote nº 3                Prato Redondo Grande de Aba Larga

     Mário Dionísio Al Berto

Homem só, homem só              A riqueza não está

Eu bem te compreendo         No fundo das algibeiras.

Quando digo que não estás só.


             Boião Bojudo            Covilhete Redondo

       Marquesa de Alorna                         Fernão Mendes Pinto

Vou vivendo por modos que duvido         Do discurso de minha vida e dos trabalhos,

Alguns instantes se serei já morta     Cativeiros, fomes, perigos e vaidades

Tal anda com seus males meu sentido.          Em que, tanto sem razão,

                                                                                 Gastei quarenta anos, ...

    

Foto -  Esboço da criação de uma decoração

Coleção Douro- Património Mundial

Tendo a região do Douro sido classificada pela Unesco como património mundial em 14 de Dezembro de 2001, foi decidido criar uma coleção de peças cerâmicas com os motivos mais emblemáticos da região. Tal decisão foi tomada no almoço da Natal desse ano dos colaboradores da Cerâmica do Douro que decorreu no Pinhão nesse mesmo dia 14. Como aspeto premonitório refira-se que, aquando da chegada do combóio em que fizemos a viagem à estação do Pinhão, fui entrevistado à chegada pela RTP1, que lá se encontrava em reportagem relativa à elevação a património mundial, tendo-me sido perguntado o que achava dessa distinção, ao que respondi que poderia ser mais um contributo para o requiem pelas gentes do Douro. Não me enganei pois só os mais privilegiados é que têm beneficiado de tal distinção, já que as gentes continuam a fugir da região por nela não encontrarem sustento digno (a diminuição contínua da população residente é prova disso). 

Os temas constantes desta coleção são:

- Aldeias Vinhateiras (Barcos (Tabuaço), Favaios (Alijó), Provesende (Sabrosa), Salzedas (Tarouca), Ucanha (Tarouca))

- Douro paisagístico (Cachão da Valeira, Galafura, Pinhão, Régua, S. Salvador do Mundo)

- Gentes do Douro (Cavador, Homem do Cesto, Podador, Vindimadora)

- Quintas do Douro (Casa do Castelinho, Quinta da Boavista, Quinta da Ervamoira, Quinta dos Frades)

- Douro Emblemático (Barco Rabelo, Comboio, Uvas, Caves do Vinho do Porto, Xisto, Cuspideira, Garrafa antiga)

- Autarquias do Douro (Fachadas dos Paços do Concelho de todas as autarquias que tocam o rio)

- As Quatro Estações no Douro (Primavera, Verão, Outono, Inverno)

- O Douro na Azulejaria (Painel de 42 azulejos e Azulejos de figura avulsa)

- O Douro na Imagem das Palavras (Miguel Torga e Teresa Reis)


          Prato de Aba Recortada Prato Redondo Grande

        Barco Rabelo                      Rio Douro


Prato de Aba Recortada      Prato de Aba Ondulada

    Homem do Cesto            O Inverno no Douro


Covilhete Retangular              Covilhete Oval

   Quinta dos Frades          Paços do Concelho de V.N.Gaia

        

Travessa Oval Recortada        Covilhete Oval

           Caves do Vinho do Porto                          Aldeia de Provesende

                                                         

Cuspideira Prato de Aba Recortada

        Provadores de Vinho do Porto    Cachão da Valeira

                                            

Foto - Réplica de Garrafa Antiga de Vinho do Porto

      Azulejos de Figura Avulsa – Temas do Douro

Painel de azulejos – Combóio no Douro


Coleção “As Grandes Causas Postas em Causa”

Esta coleção foi iniciada na sequência da outra coleção “A Cerâmica e a Imagem das Palavras”, tendo a mesma base inspiradora. Nunca teve lançamento público em exposição própria devido à situação da empresa que a levou ao Procedimento Especial de Recuperação de Empresa. É constituída pelos seguintes temas:

- Paz, Liberdade, Justiça, Dignidade, Amor, Solidariedade, Educação, Moral, Ética, Fé.

                    

                                     Covilhete Redondo - Queremos Paz

    (Negros ≠ Brancos; Bascos ≠ Castelhanos; Judeus ≠ Palestinianos; Iraquianos ≠ Americanos)              


                         Covilhete Redondo - Queremos Dignidade

      (Miséria ≠ Opulência; Igualdade ≠ Escravatura;              

       Fome ≠ Abundância; Trabalho ≠ Exclusão)              

                    

      Prato Redondo - Queremos Ética

       (Brio ≠ Incompetência; Servir ≠ Egoísmo

             Corrupção ≠ Honestidade;  Coerência ≠ Falsidade)


      Covilhete Oval – Queremos Educação

         (Escola ≠ Iliteracia; Sabedoria ≠ Ignorância

                    Cultura ≠ Insensibilidade; Criatividade ≠ Amorfismo)


Foto - Travessa Oval Grande de Aba Canelada 

   Cinco Monumentos de V.N. de Gaia 

Foto - Placa de Pavimento com Fóssil de Bacalhau Aplicado em Castle Park - Bristol


 Foto - Azulejo Grande - Frase emblemática

Foto - Painel de 6 azulejos - Frase emblemática

Foto - Prato Redondo Grande de Aba Canelada com Castelo de S.M.da Feira


Curso de Conservação e Restauro do Património Museológico e Arquitectónico            

Promovido pela Casa-Museu Teixeira Lopes/Gaianima EM, decorreu nos anos de 2005 e 2006 um curso de conservação e restauro do património museológico e arquitectónico, tendo a Cerâmica do Douro sido solicitada para ministrar a componente da cerâmica, com utilização dos seus recursos humanos como formadores e das suas instalações para os trabalhos práticos.

Os formandos tinham uma formação académica de base elevada (alguns tinham licenciaturas em ciências históricas e humanas) e o curso teve como objectivo criar uma bolsa de técnicos qualificados na área do restauro. A formação teve uma componente teórica baseada nas características e composições das pastas cerâmicas, pigmentos, corantes, tintas, vidrados, etc… e uma componente prática com a realização de trabalhos em toda a fieira de produção cerâmica desde a modelação, moldagem, acabamento, pintura, vidração e cozedura. Os conhecimentos obtidos permitiram o restauro de dois painéis cerâmicos do espólio da Casa-Museu Teixeira Lopes, assim como o restauro de diversas peças do seu acervo. Foi feito, também, o estudo de medidas preventivas para prevenir a degradação do que resta das instalações da antiga Cerâmica das Devesas. 


Foto - Prato Redondo Grande de Aba Recortada da coleção Porto-Património Mundial


Painel de azulejos para a Universidade de S. Paulo

Em meados do ano de 2013 a Cerâmica do Douro foi contactada por um professor da Universidade de S. Paulo que, recomendado pelo director da Torre do Tombo, Dr. Silvestre Lacerda, encomendou um painel grande de azulejos reproduzindo a primeira gravura conhecida da visão à chegada dos portugueses ao Brasil (aufpício et benefício).

Foi um trabalho difícil dada profusão de imagens e a necessária fidelidade de reprodução dos motivos emblemáticos constantes mas que foi conseguido em prazo curto (4 meses).

       Foto da imagem original Painel pintado antes de vidrar

       Foto - Painel terminado


O Futuro

1 - Face à ausência duma dinâmica global valorizadora dos valores culturais e tradicionais, o futuro apresenta-se problemático para as actividades que neles têm a sua base de sustentação. As entidades públicas a quem compete, em primeira linha, a defesa, valorização e continuidade dos seus valores identificativos, têm mostrado pouca dinâmica para tal, deixando, com tal atitude, que um potencial significativo do seu património caia no esquecimento e se extinga.

A Cerâmica do Douro tem tentado que a cerâmica tradicional da região Porto-Gaia se mantenha viva, mas os contactos com os poderes autárquicos não se têm revelado frutíferos, não se lhes notando particular empenho na manutenção desta actividade com profundas raízes histórico-culturais na região, nem na preservação do seu património artístico e documental.

O projecto que se torna necessário desenvolver, tendo em conta a realidade económica e social que se tem vindo a implantar na região, tem de contemplar uma componente turística, museológica e comercial, aliada à manutenção da actividade produtiva assente na manufactura de base tradicional. Isto possibilitará a disponibilização de produtos de grande valor acrescentado, utilizando recursos humanos de elevada qualificação e contribuindo para a dinamização das zonas históricas do Porto e Gaia.

 A experiência tem demonstrado que actividades deste tipo têm passado, na história recente, por épocas de apagamento a que se seguem épocas de ressurgimento. Infelizmente, quando emergem as épocas de ressurgimento já muitas das empresas encerraram por não disporem de condições para aguentarem os tempos difíceis. As que se mantiveram vivas ressurgem com renovado fulgor.

É, neste sentido, que se tem tentado manter a Cerâmica do Douro viva, na expectativa de que o tempo de ressurgimento aconteça antes do seu fenecimento.  Como contributo para assegurar as bases deste ressurgimento, o seu fundador e proprietário constituiu a Fundação Cerâmica do Douro a quem doou parte significativa do espólio, de forma a permitir a existência física daquilo que se tornará necessário à reactivação da produção (Ver anexos).

Com o mesmo objectivo de evitar a delapidação do património artístico da Cerâmica do Douro, o Dr. António Vilar, grande amigo pessoal, dirigiu, em finais de 2017, uma carta ao Ministro da Cultura, Dr. Luís Filipe de Castro Mendes, sensibilizando-o para se reunir com a empresa no sentido de se estudarem soluções.  Em 17 de Janeiro de 2018 decorreu uma reunião com dois adjuntos do Ministro, em que se ficou de trabalhar quatro medidas:

a) - Declaração de manifestação de interesse na preservação e continuidade do património artístico referido, cuja explicitação sintética consta no dossier anexo; 

b) - Aquisição de peças da Cerâmica do Douro, destinando-as a museus ou ao património decorativo de instituições públicas, revertendo o produto da venda na amortização dos valores em dívida e impedindo a execução que delapidará o património artístico referido;  

c) - Diligências junto da Autoridade Tributária para a suspensão dos processos de execução fiscal e de venda de bens penhorados, até à obtenção duma solução que regularize o valor em dívida, com a realização das diligências necessárias para estudo da concretização de medidas protetoras, nomeadamente com as entidades públicas envolvidas no passivo (I.E.F.P., Autoridade Tributária e C.G.D.), no sentido de que aceitem a dação em pagamento de património artístico para pagamento da dívida; 

d) - Promoção duma reunião das entidades públicas referidas com a Cerâmica do Douro, no sentido de diligenciar o empenho específico dessas entidades e autarquias na continuidade da actividade da cerâmica tradicional (no caso da Cerâmica do Douro com as autarquias de V.N.Gaia e Porto).


No dia seguinte foram enviados emails ao Delegado Regional do Norte do Ministério da Cultura e ao Presidente da Câmara Municipal de V.N.Gaia solicitando a marcação de reuniões para o desenvolvimento do estudo que envolve estas instituições, não tendo havido qualquer resposta às solicitações de reunião.

2 – Simultaneamente com as diligências referidas no ponto anterior, decorreu uma reunião com o Dr. António Leite, Delegado da Região Norte de IEFP, em que este assumiu ir diligenciar junto do presidente do IEFP o estudo de uma solução para a Cerâmica do Douro. Até à data não houve resposta apesar das diligências efetuadas nesse sentido.

3 – Também decorreram reuniões com a vereadora da cultura da Câmara Municipal de V.N.Gaia, Engª Paula Carvalhal, que nunca tiveram resposta formal ao acordado nessas reuniões de apoio à Cerâmica do Douro. Nesta autarquia, o presidente da Assembleia Municipal, Dr. Albino Almeida, em reunião havida em 2021, assumiu ir sensibilizar o executivo para o interesse de apoiar a Cerâmica do Douro. 

4 – Nos finais de 2021 foi enviada uma exposição à Ministra da Cultura, Dra. Graça Fonseca, que a remeteu para a Delegada Regional do Norte, Dra. Laura Castro, com a qual houve uma reunião em que esta se comprometeu a concretizar algumas medidas de apoio mas que, até à data, não se efetivaram.   

5 – Entretanto, os processos executivos da CGD e do IEFP (através da AT) continuaram o seu curso. A CGD cedeu os créditos da Cerâmica do Douro à empresa Whitestar/Hefesto, passando esta, através de ação judicial em Julho de 2023 no Tribunal Judicial do Porto, a tentar cobrar os valores em dívida, que a CGD já tinha abatido ao ativo. A Cerâmica do Douro contestou tal alegando a prescrição da cobrança (A Hefesto, através do agente de execução Paulo Jorge Brito, exigiu o pagamento de € 593.232,05, quando o valor reclamado pela CGD constante do mapa da CRC do Banco de Portugal em Abril de 2023 era de € 103.163,01). O Tribunal Judicial do Porto considerou prescrita a dívida, mas a Hefesto recorreu para o Tribunal da Relação do Porto. Este tribunal confirmou a decisão da 1ª instância pelo que a dívida foi extinta por prescrição.

O Serviço de Finanças Gaia 2 continuou com a execução fiscal, inicialmente coma a venda das instalações fabris, o que contestamos por tal ser, na prática, a delapidação do património constituído, já que deixava de haver espaço físico para a sua guarda. Esta venda foi anulada pelo chefe do serviço de finanças, que a substituiu pela venda de peças acabadas em stock.

6 – Continuaram a decorrer no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto as ações desencadeadas pelo IEFP/AT contra a Cerâmica do Douro e contra o seu sócio gerente Manuel Hipólito Almeida dos Santos. Os dois processos tiveram sentença favorável ao IEFP, de que foram desencadeados recursos para o Tribunal Central Administrativo.    

7 – Uma das hipóteses de solução consideradas desde há muitos anos, era a integração da Cerâmica do Douro no projeto de recuperação da Cerâmica das Devesas, cujas instalações tinham sido adquiridas pela Câmara Municipal de V.N.Gaia. Inicialmente essas instalações incluiriam um Museu da Cerâmica, posteriormente a designação foi alterada para Museu da Cidade e da Cerâmica e recentemente para Museu do Ambiente. A Cerâmica do Douro manifestou o seu desencanto pela desvalorização da cerâmica, o que motivou alguns artigos na comunicação social, com declarações lamentáveis do presidente (Dr. Eduardo Vitor Rodrigues) e da vereadora da cultura (Engª Paula Carvalhal) da Câmara Municipal de V.N.Gaia, de que os recortes de imprensa seguintes                                                 são elucidativos:

“Jornal de Notícias online - Miguel Amorim – 03.04.2022 Hoje às 18:00

Manuel Almeida dos Santos, na Cerâmica do Douro, que fundou em 1989.

Museu nas Devesas sem a cerâmica é "perder as raízes", diz Manuel Almeida

O fundador da Cerâmica do Douro, Manuel Almeida dos Santos, diz que o futuro Museu-Ambiente, a instalar nas Devesas, em Gaia, sem a componente da cerâmica, equivale a estar a "perder parte das raízes e da cultura" do concelho.

Manuel Almeida dos Santos refere que criou a Cerâmica do Douro, em Arcozelo, com o compromisso dos presidentes do Município, Heitor Carvalheiras (1989-1997) e Luís Filipe Meneses (1997-2013), de que o acervo seria aproveitado pela Autarquia e integrado no Centro Histórico. "Gostávamos que não ficasse esquecido, se não é património que vai para o lixo", declara.

Esta segunda-feira, na reunião de Câmara de Gaia, será aprovado o pagamento dos prémios do concurso para a conceção do Museu-Ambiente. O objetivo é "criar um polo histórico e de atração turística". Também "expor tecnologias inovadores ligadas à sustentabilidade ambiental", entre outras valências. Foto: Ivan de Val / Globa Imagens“

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“Sem a cerâmica é património que vai para o lixo” 

Manuel Almeida dos Santos diz que um museu nas Devesas, sem a indústria dos moldes, é “perder as raízes” 

GAIA O fundador da Cerâmica do Douro, Manuel Almeida dos Santos, diz que o futuro Museu-Ambiente, a instalar nas Devesas, em Gaia, sem a componente da cerâmica, equivale a estar a “perder parte das raízes e da cultura” do concelho. 

Manuel Almeida dos Santos refere que criou a Cerâmica do Douro, em Arcozelo, com o compromisso dos presidentes do Município, 

Heitor Carvalheiras (1989--1997) e Luís Filipe Menezes (1997-2013), de que o acervo 

seria aproveitado pela Autarquia e integrado no Centro Histórico. “Gostávamos que não ficasse esquecido, se não é património que vai para o lixo”, declara. 

Hoje, na reunião de Câmara, será aprovado o pagamento dos prémios do concurso para a conceção do Museu-Ambiente. O objetivo é “criar um polo histórico e de atração turística”. Também “expor tecnologias inovadoras de sustentabilidade ambiental”. 

“MEMÓRIA COLETIVA” 

Manuel Almeida dos Santos regista que “a cerâmica foi uma importante indústria, em Gaia e no Porto, entre os séculos XVIII a XX”. Lembra que montou a Cerâmica do Douro a “título provisório” em Arcozelo, mas com a promessa de mudança de local. A passagem para junto do Convento Corpus Christi foi ventilada. Fundada em 1989, deixou de laborar em 2010. 

 “Está lá tudo. Os moldes, os desenhos, as peças e o equipamento. Toda a linha da produção tradicional”, dá conta, assinalando a sua “tristeza” se este material “não for levado em consideração” para o futuro museu, que demorará dois anos a construir. “O objetivo é fazer perdurar na memória coletiva a história da atividade”, explica, sobre a sua pretensão. Reitera a existência de compromissos nos tempos dos anteriores autarcas, mas anota que da parte de Eduardo Vítor Rodrigues “nunca houve qualquer promessa”. Apenas “conversas”. M. A. 


( Notícia publicada na edição impressa do Jornal de Notícias de 04.04.2022 - pág.15)”


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(LUSA) - Agência de Notícias

Cerâmica do Douro insta Câmara de Gaia a clarificar se quer preservar espólio

Vila Nova de Gaia, Porto, 05 abr 2022 (Lusa) – O fundador da Cerâmica do Douro instou hoje a Câmara de Gaia a clarificar “se quer ou não” preservar o espólio da cerâmica tradicional do concelho, acusando a autarquia de “falta de sensibilidade cultural”.

“Foi esse trabalho [de preservação] que a Cerâmica do Douro fez ao longo da sua existência e que agora ou vai para o lixo ou é aproveitado. Compete à Câmara dizer o que é que entende: se esse património é um património que não tem valor e que pode ir para o lixo ou se o quer aproveitar e integrar no futuro museu”, afirmou Manuel Almeida dos Santos, em declarações à Lusa.

Na segunda-feira, no final da reunião do executivo municipal, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, garantiu que o Gaia Museu-Ambiente, projetado para o complexo industrial da antiga Cerâmica das Devesas, terá um espólio ligado à cerâmica, apesar de não ser um museu de cerâmica.

As afirmações do autarca surgiram após preocupações levantadas pelo fundador da empresa Cerâmica do Douro, que, segundo a edição de domingo do Jornal de Notícias (JN), considerou que sem a componente da cerâmica o futuro Museu-Ambiente equivale a estar a "perder parte das raízes e da cultura" do concelho.

De acordo com Eduardo Vítor Rodrigues, este espaço museológico terá um espólio “significativo” ligado à cerâmica e a tudo que dela ramifica como pintura e escultura, apresentando-se como um museu da cidade.

“Pelo facto de a Cerâmica do Douro ser a última e a única iniciativa de dimensão e significado nos últimos tempos em Gaia, seria natural que o seu património e o seu espólio fossem considerados nessa intenção e, portanto, nós fossemos ouvidos neste processo.

Até agora tem havido umas conversas, mas sem que delas saia algo de significativo”, observou Manuel Almeida dos Santos.

O fundador da Cerâmica do Douro, cuja “laboração está suspensa desde alguns anos por indefinição quanto ao futuro”, lamenta que o atual executivo da Câmara do Gaia “nunca”

tenha querido saber da dimensão do património e espólio da empresa, que reúne documentos, desenhos, levantamentos museológicos, moldes, fornos, entre outros.

“Será que isso não interessa à atual autarquia para integrar no futuro museu”, questionou, alertando para o risco de perda da memória coletiva de uma atividade muito significativa para o concelho.

“Aqui o que está em causa é fundamentalmente um problema de sensibilidade cultural para a não perda da memória coletiva de uma atividade [produtiva] que foi a mais importante da região Porto-Gaia nos séculos passados [até meados do século XX]”, acrescentou.

Salientando que a preservação deste património está nas mãos da Câmara, Manuel Almeida dos Santos reiterou poder disponibilizar o espólio e património da Cerâmica do Douro, lembrando que já tinha sido colocada inclusivamente à consideração do município a emissão de um parecer de utilidade pública, que nunca foi atribuído.

Confrontado com as declarações de Eduardo Vítor Rodrigues, que no final da reunião de

segunda-feira do executivo municipal disse aos jornalistas, referindo-se à Cerâmica do Douro, não ter condições “para socorrer empresas falidas e comprar património”, Manuel Almeida dos Santos classificou esta afirmação de caluniosa.

“Essa é uma afirmação grave, muito grave porque, que eu saiba, a empresa não está falida. Para haver uma falência tinha de haver um processo jurídico que tem uma tramitação própria e que não está sequer em curso. Portanto é afirmação gratuita e grave vinda de um responsável político. Não dispõe de elementos factuais nenhuns, portanto é uma calúnia que eu repudio”, declarou.

Ao JN, Manuel Almeida dos Santos referiu que criou a Cerâmica do Douro, em Arcozelo, com o compromisso dos antigos presidentes do município Heitor Carvalheiras (1989-1997) e Luís Filipe Meneses (1997-2013) de que o acervo seria aproveitado pela autarquia e integrado no Centro Histórico.

Segundo Eduardo Vítor Rodrigues, o Gaia Museu-Ambiente vai demorar cerca de dois anos a ser construído, representando um investimento na ordem dos oito milhões de euros, valor que inclui a área envolvente.

VSYM (SVF/PFT) // JAP

Lusa/Fim

ID: 37775348

Localização: Vila Nova de Gaia, Portugal


Foto - Mesa de xadrez com peças de figuras populares portuguesas


O Património da Cerâmica do Douro

1 – Produtos acabados

       - Peças da coleção “Temas de Gaia” composta por 40 peças distintas de várias temáticas 

                                            ligadas a Vila Nova de Gaia;  

       - Peças da coleção “Identidade Museológica” composta por 30 peças distintas;

       - Painéis de azulejos e azulejos avulso de temáticas tradicionais;

       - Peças da coleção “Linguagem gestual” composta por 50 peças distintas;

       - Peças da coleção “Casa do Infante” composta por 8 peças distintas;

       - Peças da coleção “Ateneu Comercial do Porto” composta por 5 peças distintas

       - Peças da coleção “500 anos de Descobrimentos” composta por 35 peças distintas;

       - Peças da coleção “Porto-Capital Europeia da Cultura” composta por 120 peças distintas de 

                                         várias temáticas ligadas ao Porto;

       - Peças da coleção “Douro Património Mundial” composta por 50 peças distintas de várias

                                           temáticas ligadas ao Douro;

       - Peças da coleção “Formas Populares” composta de 30 peças distintas de várias temáticas 

                                           ligadas às formas e decorações populares;

       - Peças da coleção “Linha utilitária” composta de 110 peças distintas para usos de mesa, chá, 

                                           café, louça de forno e decorativa;

       - Peças da coleção “A Cerâmica e a Imagem das Palavras”, composta de 90 peças distintas 

                                           Ilustrando expressões, reflexões e provérbios de autores portugueses;

       - Peças de coleção “Esculturas” composta de 25 peças distintas de esculturas cerâmicas;

       - Peças da coleção “Clube de coleccionadores” composta de 7 peças diferentes;

       - Peças da coleção “Reflexos do Tempo” composta de 10 peças distintas;

       - Peças da coleção “Linha de criança” composta por 20 peças diferentes para criança;

       - Peças da coleção “Linha Decorativa Original” composta por 80 peças diferentes;

       - Peças das coleções “Castelos, Monumentos e Pelourinhos de Portugal” composta por 40 peças 

                                            distintas;

       - Peças da coleção “Paços do Concelho” composta por peças de todos os Paços do Concelho dos

                 municípios do norte de Portugal;           

       - Peças da coleção “ Aplicações de prata” composta por peças com complementos em prata

       - Peças da coleção “Diversos” composta por várias peças de temática diversa.


2 – Mais de 300 moldes em gesso e madres, para fabrico de peças cerâmicas;

3 – Desenhos, registos e materiais de arquivo, suporte e recolha museológica

4 – Equipamentos fabris para produção de peças cerâmicas;

5 – Equipamento administrativo de apoio ao processo produtivo;

6 – Embalagens e diversos materiais de apoio à produção;

7 – Terreno e edifício fabril


Dezembro de 2007


Foto - Caneca tradicional, produzida para Kirin Culture Club - Japão


Património suscetível de ser afetado à Fundação Cerâmica do Douro

I – Pela Cerâmica do Douro (Já foi doado € 265.692,00)

1 - Terreno com edifício fabril (avaliado pela Segurança Social em 2003)

- Valor:  € 177.396,00 

2 – Moldes e Madres (Avaliados para a Direcção Geral dos Impostos em 2003)

- Valor: € 901.750,00

3 – Modelos e Formas de Trabalho (Já doados € 120.350,00)

- Valor: € 295.000,00

4 – Produtos acabados (mostruário) (Já doados € 145.342,00)

- Valor: +/- € 400.000,00  

5 – Outros produtos acabados

- Valor: +/- € 200.000,00


II – Por Manuel Hipólito Almeida dos Santos (Já doado)

1 – Desenhos de peças e recolhas museológicas

- Valor: +/- € 70.000,00

2 – Bibliografia técnica e artística

- Valor: +/- € 2.500,00

3 – Fotos, diapositivos e material criativo

- Valor: +/- € 20.000,00

4 – Arquivo artístico em suporte físico e informático

- Valor: +/- € 50.000,00 

V.N.Gaia, Junho de 2009

Cerâmica do Douro – Fábrica de Cerâmica  Regional, Lda.

Rua dos Dez, 89 • 4410-435 ARCOZELO – VILA NOVA DE GAIA •  PORTUGAL   •      Telefone 962835783  

Correio Electrónico: ceramicadodouro@gmail.com Página na Internet: www.ceramicadodouro.pt



Foro - Covilhete Redondo, com ponte sobre o rio Tedo, em Tabuaço


Fundação Cerâmica do Douro

Memorando descritivo das áreas de actuação da Fundação


1 – Objecto da Fundação Cerâmica do Douro

Actividades de promoção, defesa, estudo científico, valorização, preservação e divulgação da cerâmica e das artes decorativas tradicionais do Douro e actividades conexas.


2 – Motivação

-  Participação na recuperação duma actividade tradicional. 

-  Integração numa dinâmica de dinamização dos valores culturais e 

    artísticos de natureza cerâmica. 

-  Criação duma vertente emblemática de promoção dos valores de imagem 

    e cultura nacionais.

-  Apoio aos estabelecimentos de ensino e de natureza científico-cultural.


3 – Actividades a desenvolver

- Promoção e participação em conferências e exposições ligadas à cerâmica  

   Tradicional. 

- Disponibilização de materiais e peças para acções de estudo e investigação 

   ligadas à cerâmica e actividades afins.

- Participação na revitalização do ensino da cerâmica em todos os escalões 

   de ensino.

- Promoção da utilização da cerâmica tradicional, quer em espaços públicos 

   (ex: revestimento de fachadas em azulejaria), quer em usos utilitários e 

   decorativos.

- Fomento da divulgação da cerâmica tradicional pelas entidades públicas e 

  privadas, nomeadamente através das ofertas protocolares institucionais.

- Colaboração com museus e entidades de cariz afim em actividades de 

  estudo, inventariação, classificação e divulgação da cerâmica tradicional.

- Estabelecimento de parcerias com entidades que mostrem interesse e se

  disponham a desenvolver actividades de fabricação de produtos de 

  cerâmica tradicional, disponibilizando desenhos, madres, moldes e outros 

  elementos patrimoniais. 

- Divulgação de bibliografia relacionada com a cerâmica tradicional.

- Apoio à edição de publicações com temática subjacente a este sector 

  cultural. 

- Fomento de dinâmicas, nomeadamente junto de entidades autárquicas com 

  “raízes” cerâmicas, para a criação de espaços para artistas temporários e 

   residentes dedicados a trabalhos ligados à cerâmica tradicional.

- Desenvolvimento de trabalhos de investigação na área da cerâmica   

  tradicional. 


V.N.Gaia, 6 de Setembro de 2010


Foto - Prato Redondo Grande de Aba Larga, da coleção " Reflexos do Tempo", com imagem de "Mulher Lua". Recriação a partir de originais do século XVIII.

  

Fundação Cerâmica do Douro

Doação

A sociedade Cerâmica do Douro – Fábrica de Cerâmica Regional Lda., com sede na Rua dos Dez, nº 89 em Arcozelo – Vila Nova de Gaia e o  NIF 502153903, representada pelo seu sócio-gerente Manuel Hipólito Almeida dos Santos e no cumprimento da decisão tomada em Assembleia Geral realizada em vinte de Agosto do ano de dois mil e dez, doa à Fundação Cerâmica do Douro, nos termos e condições estabelecidas neste documento, os bens e direitos a seguir referenciados, tendo em conta que encontrando-se a cerâmica tradicional portuguesa em processo de apagamento, com a extinção de muitas das unidades que lhe deram projecção, é exigência, para a manutenção dos referenciais identitários desta actividade tradicional, que se afecte os bens patrimoniais que possam ser considerados relevantes para a preservação e continuidade dos valores que suportam essa identidade a uma entidade com as características da recém criada Fundação Cerâmica do Douro. 

Com esta doação fica a comunidade enriquecida com um património que se não fosse afecto à Fundação Cerâmica do Douro corria o risco de ser considerado de valor nulo numa análise de mercado e em termos técnico-contabilísticos, perdendo-se uma mais valia considerável em prejuízo dos valores culturais, históricos e tradicionais inerentes a um sector de actividade importante para o estudo, valorização e apreciação daquilo que é parte integrante da história das artes tradicionais em Portugal. Neste sentido a doação aqui expressa representa um enriquecimento do património cultural que uma entidade como a Fundação Cerâmica do Douro passará a salvaguardar em prol da comunidade.

1º

A Cerâmica do Douro – Fábrica de Cerâmica Regional Lda é dona e legítima proprietária dos bens constantes do documento anexo à presente doação, sob o nº 1.

2º

Por este documento, a Cerâmica do Douro – Fábrica de Cerâmica Regional Lda. doa à Fundação Cerâmica do Douro todos os bens referidos na cláusula primeira livres de quaisquer ónus ou encargos, a que atribui o valor  de € 265.692,00.

3º

A presente doação tem efeitos imediatos.

Vila Nova de Gaia, 30 de  Julho de 2010

A Gerência

(Manuel Hipólito Almeida dos Santos)


Relação de madres doadas à Fundação Cerâmica do Douro


Madre Modelo                                             Valor (€)

Argola de guardanapo Gabriela                            1.200

Chávena 1 ½ Gabriela                                            1.200 

Copo nº 1 Gabriela                                            1.200

Copo nº 2 Gabriela                                            1.200

Covilhete oval Identidade Museológica                    2.600

Covilhete redondo Identidade Museológica                2.600

Jogo – Solitário Identidade Museológica                2.100

Jogo – Pedrinhas Identidade Museológica                2.100

Meninos - Escultura Teixeira Lopes                       3.800                                             

Penico Popular                                                          2.600

Pires nº 1 ½ Gabriela                                                 1.200

Porco mealheiro nº 1 Popular                                  3.800

Porco mealheiro nº 2 Popular                                  2.600 

Porco mealheiro nº 3 Popular                                  2.100

Prato de aba gomada nº 1 Identidade Museológica      3.800

Prato de aba gomada nº 2 Identidade Museológica      2.600

Prato de aba gomada nº 3 Identidade Museológica      2.100

Presépio – bloco Escultura                                       3.800

Presépio – placa Escultura                                       3.800

Sino Popular                                                                  1.200

Tarteira Gabriela                                                        2.600

Tigela nº 6 Gabriela                                                1.200

Xisto – Rectangular Escultura                               2.600

Xisto – Triangular Escultura                                       2.600


Total  ……………………………………………….  56.600

V.N.Gaia, 30 de Julho de 2010


Relação de moldes doados à Fundação Cerâmica do Douro

Madre Modelo                                                                              Valor (€)

Argola de guardanapo Gabriela                                                      4 x 250

Banda música Escultura                                                                       900  

Barco Rabelo Escultura                                                                      900

Bengaleiro com Carranca Identidade Museológica                       900

Boião de Farmácia Grande Identidade Museológica                        900

Caneca de Beira Ondulada nº 1 Popular                                          900 

Caneca de Beira Ondulada nº 2 Popular                                          600 

Caneca de Beira Ondulada nº 4 Popular                                           250 

Cântaro Grande Identidade Museológica                                         900

Castiçal grande cilíndrico Identidade Museológica                         600

Castiçal pequeno cilíndrico Identidade Museológica                         400

Cavador Escultura                                                                                900   

Centro de mesa (Fruteira) Gabriela                                                 900 

Chávena 0 Gabriela                                                                         400 

Chávena 1 ½ Gabriela                                                                      2 x 400 

Chocolateira Gabriela                                                                         600

Chocolateira Original                                                                          600   

Colher boleada Original                                                                  400

Colher facetada Gabriela                                                                 400 

Concha Identidade museológica                                                         400 

Copo nº 1 Gabriela                                                                     2x 250

Copo nº 2 Gabriela                                                                      2x 250

Copo para escova de dentes nº 1 Gabriela                                           400

Copo para escova de dentes nº 2 Gabriela                                            400    

Covilhete oval Identidade Museológica                                              2x 600

Covilhete redondo Identidade Museológica                                      2x 600

Flor (pétala) Escultura                                                                           250

Floreira de 3 dedos Identidade Museológica                                            250

Floreira de 5 dedos grande Identidade Museológica                           900

Floreira de 5 dedos média Identidade Museológica                           600

Jarra quadrangular Original                                                                     400

Jarrão Conventual grande Identidade Museológica                            900 

Jarrão Taça com duas asas Identidade Museológica                            900

Jarrão-Chocolateira com pega Identidade Museológica                    900   

Jogo – Solitário Identidade Museológica                                        2x 100

Jogo – Pedrinhas Identidade Museológica                                        2x 100

Manteigueira Rectangular Gabriela                                                     400 

Meninos - Escultura Teixeira Lopes                                                   600                                             

Moringue nº 1 Popular                                                                               600

Moringue nº 2 Popular                                                                               400

Penico Popular                                                                                       600

Pires nº 1 ½ Gabriela                                                                         2x 250

Porco mealheiro nº 1 Popular                                                               600

Porco mealheiro nº 2 Popular                                                          2x 400 

Porco mealheiro nº 3 Popular                                                          2x 250

Queijeira – Tampa Gabriela                                                                      250

Pote c/ Carranca -Escudo/Euro 1 Identidade Museológica                     900

Pote c/ Carranca -Escudo/Euro 2 Identidade Museológica                     600

Pote Facetado Grande Identidade Museológica                                     900

Prato de aba gomada nº 1 Identidade Museológica                             600

Prato de aba gomada nº 2 Identidade Museológica                             400

Prato de aba gomada nº 3 Identidade Museológica                             400

Prato gigante – 50 cm Identidade Museológica                                     900

Prato s/ aba nº 0 Identidade Museológica                                             600

Prato s/ aba nº 00 Identidade Museológica                                             400

Prato s/ aba nº 000 Identidade Museológica                                             250

Presépio – bloco Escultura                                                                2x 900

Presépio – placa Escultura                                                                2x 900

Saleiro aberto Identidade Museológica                                                      400

Sino Popular                                                                                           2x 250

Tarteira Gabriela                                                                                  2x 400

Terrina – Centro de mesa 1 Identidade   museológica                            900   

Terrina – Centro de mesa 1- Prato Identidade museológica                      900   

Terrina – Centro de mesa 2 Identidade museológica                              900   

Terrina – Centro de mesa 2- Prato Identidade museológica                      900   

Terrina – Centro de mesa 3 Identidade museológica                              600   

Terrina – Centro de mesa 1-Prato Identidade museológica                      400   

Tigela nº 6 Gabriela                                                                          2x 250

Travessa de rabanadas grande Identidade museológica                      900

Travessa de rabanadas média Identidade museológica                              600

Travessa de rabanadas média Gabriela                                                       600

Travessa de aba larga nº 2 Identidade Museológica                              600  

Travessa quadrada nº 1 Gabriela                                                               900

Travessa quadrada nº 1 Original                                                                900  

Travessa de rabanadas grande Identidade museológica                      900

Travessa rectangular nº 1 Gabriela                                                       600   

Travessa rectangular nº 2 Gabriela                                                       400   

Travessa rectangular nº 1 Original                                                        600   

Travessa rectangular nº 2 Original                                                        400   

Última Ceia Escultura                                                                              900

Xadrez – Pé Escultura                                                                              900

Xadrez – Tabuleiro Escultura                                                                      900 

Xadrez – 7 figuras Escultura                                                                7x  900

Xisto – Rectangular Escultura                                                         2x  600

Xisto – Triangular Escultura                                                                 2x  600


Total  ……………………………………………………………….  € 63.750

V.N.Gaia, 30 de Julho de 2010


Relação de peças doadas à Fundação Cerâmica do Douro


(Valores em euros)


Arieiro 105,00

Bengaleiro com Carrancas …1.300,00

Bacia de Barbeiro 600,00

Boião de Farmácia 485,00

Caneca brasão 595,00

Caneca com Carranca 695,00

Caneca de Bico Azulado 580,0

Canjirão com Tampa 670,00

Conjunto de 3 Canecas 1.025,00

Floreira de 3 dedos ………. 50,00

Floreira de 5 dedos média…. 80,00

  Floreira de 5 dedos grande …220,00

Fruteira 550,00

Galheteiro 775,00

Gomil e Lavanda 1.335,00

Jarra Conventual Clássica 385,00

Jarra Conventual S.P.M 580,00

Jarrão grande ……………… 970,00

Molheira com Prato 420,00

Pote com Carranca e tampa  nº 1 (Do escudo ao euro) …………. 2.290,00

Prato Coberto 520,00

Prato de aba furada com 3 pés 355,00

Prato de Aba Ondulada 590,00

Prato de Aba Vazada 380,00

Prato para Terrina – Centro de Mesa nº 1...................................... 1.320,00

Prato para Terrina – Centro de Mesa nº 2……………………….. 820,00

Prato para terrina – Centro de Mesa nº 3 ……………………….. 170,00

Prato para Bolos 280,00

Prato Redondo Cenário 455,00

Terrina com Prato 1.290,00

Terrina – Centro de Mesa nº 1 ……………………………………. 1.720,00

Terrina – Centro de Mesa nº 2 ……………………………………. 1.090,00

Terrina – Centro de Mesa nº 3 ……………………………………. 295,00

Terrina Corda 580,00

Terrina Peixe 1.220,00

Terrina Relevada 810,00

Travessa Oval Recortada 525,00

Travessa Oval Grande – Relógio …………………………………. 450,00

Travessa para Rabanadas………………………………………….. 610,00

Travessa Redonda Anjo 435,00

Travessa Redonda Namorados 485,00

Vaso com Carrancas ………………………………………………. 600,00

Vaso Serrilhado 395,00

Xadrez completo…………………………………………………….  8.695,00

7 Painéis de azulejos temáticos …………………………………… 18.330,00

9 Pratos Grandes da Colecção “Reflexos do Tempo”……………    7.299,00

Moeda Manuelina - Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”. 220,00

Pote Facetado - Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”……. 3.460,00

Pote Red. Grande - - Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”. 7.265,00

4 Azulejos 15x15 – “Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”. 436,00

13 Pratos recort. – “Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”. 10.309,00

13 Pratos vazados– “Colecção “500 Anos dos Descobrimentos”. 5.525,00

Prato Red. Grande – Infante D. Henrique ………………………. 1.005,00

Tágide – Relevo em biscuit ………………………………………. 450,00

13 Pratos Grandes de aba recortada- Col. 500 anos de descobr.. 9.516,00

13 Pratos de aba vazada –Colecção 500 anos de descobrimentos 5.525,00

12 Travessas ovais de aba recortada –Colecção Castelos Portug. 6.528,00

12 Travessas ovais de aba recortada- Colec. Monumentos Port. 6.732,00

12 Travessas red. de aba ondulada –Colec. Pelourinhos Portug. 6.972,00

10 Pratos redondos altos – Colecção Figuras Ilustres do Porto .. 9.580,00

10 Pratos de Aba Gomada nº2–Colec.Templos Religiosos-Porto 8.390,00


Total ………………………………………………………………………€  145.342,00

V.N.Gaia, 30 de Julho de 2010

             

Foto - Boião Bojudo – Coleção Ateneu Comercial do Porto

Foto- Moringue tradicional portuguesa

Foto - Caixa Alta com decoração em linguagem gestual a ouro


Índice

- Introdução …………………………………………………………………  7

- Plano Especial de Recuperação de Empresa ……………………………10

- Quadro de pessoal no ativo à data da apresentação do P.E.R.E……... 15

- Atividade subsequente à aprovação do P.E.R.E..……………………….17

- Trabalhos e coleções relevantes ..…………………………………………27

- Coleção “Porto Capital Europeia da Cultura ……………………29

- Coleção “Do escudo ao Euro ………………………………………38

- Coleção “A Cerâmica e a Imagem das Palavras”……………….. 39

- Coleção Douro- Património Mundial ………………….………… 47 

- Coleção “As Grandes Causas Postas em Causa” ……………….. 51

- Temas diversos .…………………………………………………….. 54

           - Curso de Conservação e Restauro do Património Museológico

              e Arquitetónico .. …………………………………………………… 57

- Painel de azulejos para a Universidade de S. Paulo ……………………. 59

- O Futuro …………………………………………………………………….  61 

- O Património da Cerâmica do Douro ……………………………………  69

- Património suscetível de ser afetado à Fundação Cerâmica do Douro.  71

- Memorando descritivo das áreas de atuação da Fundação……………   73

- Pacto social da Fundação Cerâmica do Douro …………………………   76

- Pacto social inicial da Cerâmica do Douro ………………………………  95

- Índice ………………………………………………………………………… 99

- Ficha técnica …………………………………………………………………102

- Publicações do autor……………………………………………………….. 103


Foto - Prato Redondo Grande de Aba Canelada, com presépio

Foto - Caneca com Carranca da coleção de identidade museológica


Ficha técnica

- A Cerâmica do Douro e a sua história – II

- Autor: Manuel Hipólito Almeida dos Santos

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Janeiro 2025


Publicações do autor

- Poesia – Fragmentos (Eu)- 1985 – 100 ex. - esgotado

- A Cerâmica do Douro e a sua história – 1999 – 500 ex. - esgotado

- O caso Susana Torres – 2000 – 100 ex. - esgotado

- Questões de ética e cidadania – 2000 - 500 ex. - esgotado

- A Cerâmica no dia a dia – 2006 - 100 ex.- esgotado

- Prisões: Que esperança – 2007 – 100 ex. - esgotado

- ONG’s passado e presente – Uma experiência pessoal – 2015 – ebook

- A Abolição das Prisões – 2020 – ebook

- Questões de Ética e Cidadania  II - 2021 – ebook

- Uma vida pelos direitos humanos – 100 ex. - 2022

- A Cerâmica do Douro e a sua história  II – 100 ex. - 2025