sexta-feira, 22 de junho de 2012
Dia Mundial da Criança
Comemorou-se no dia 1 de Junho, em muitos países do mundo, o Dia Mundial da Criança, data marcante para que se celebrem, evidenciem e aprofundem questões importantes relacionadas com a vida das crianças.
Esta data tem a virtude de ser mais uma oportunidade para se enfatizar a necessidade da comunidade dar mais atenção e empenhamento às muitas violações de direitos humanos de que as crianças são as principais vítimas.
Neste dia 1 de Junho de 2012 é desolador continuarmos a assistir a situações particularmente gravosas para as crianças sem se ver particular vontade das autoridades em lhes pôr cobro. Desde a chaga da pobreza crescente ao direito aos tempos livres, dos maus tratos físicos e psicológicos ao malfadado estatuto do aluno.
A pobreza crescente em muitos países do mundo, incluindo Portugal, arrasta para as crianças consequências dramáticas. A carência de alimentos afecta o aproveitamento escolar, provoca distúrbios físicos e psicológicos e traumatiza as crianças nessa situação. A privação de acesso a serviços públicos essenciais (água, luz eléctrica, aquecimento, etc…) impede o desenvolvimento equilibrado das crianças e cria complexos de inferioridade e vergonha inaceitáveis numa sociedade que se diz civilizada. Esta privação de usufruto de serviços públicos essenciais tem vindo a ser agravada com o corte do seu fornecimento por incapacidade económica dos agregados familiares em suportar o seu custo.
O direito aos tempos livres continua a ser uma miragem para muitas crianças, caracterizada por uma escassez de tempo em meio familiar, assim como a ocupação do espaço de tempo disponível com outras tarefas (trabalhos escolares para casa, ginásios, natação, etc…).
Os maus tratos físicos e psicológicos são uma chaga que persiste em atormentar as crianças, apesar da sua proibição nos referenciais jurídicos nacionais e internacionais, de que a frequente não consideração do interesse superior da criança nos processos de adopção é um exemplo chocante. Por outro lado, a mensagem de que as crianças não são seres inferiores aos adultos ainda não foi interiorizada por faixas alargadas da sociedade. Uma bofetada, um puxão de orelhas ou uma palmada nas nádegas, ou ameaças de castigos são tão erradas nos adultos como nas crianças. Não têm efeito pedagógico nem de correcção de comportamentos. E é proibido legalmente!
O malfadado estatuto do aluno continua a não reconhecer às crianças o seu estatuto de ser humano digno e possuidor de direitos próprios e de todos os direitos dos adultos. A insistência em consagrar punições sem obedecer à regra jurídica de que tal só pode ser feito por uma entidade competente, independente e imparcial, é um atropelo gritante aos referenciais internacionais de direitos humanos, de que Portugal é Estado-Parte. O estatuto do aluno não pode parecer um código punitivo das crianças mas sim um instrumento que faça transportar para dentro das escolas os normativos e as recomendações do Conselho da Europa e do Comité dos Direitos das Criança da O.N.U.
É tempo de as crianças verem o seu estatuto e os seus direitos respeitados. É tempo de a Convenção dos Direitos da Criança ser conhecida e respeitada por pais, professores e todos aqueles que lidam com crianças.
Saudemos as crianças neste mês de Junho que contém o Dia Mundial da Criança, assegurando-lhes que nos empenharemos na defesa de quem tem poucos meios para assegurar a sua própria defesa: as crianças!
terça-feira, 22 de maio de 2012
Professoras heroínas
Há dezasseis anos que é professora do 3º ciclo do ensino básico e do secundário. Já passou por mais de vinte escolas. Já lhe passaram pelas mãos mais de mil alunos. Tem duas licenciaturas, já fez a profissionalização em serviço, continua ser professora contratada. Nuns anos é colocada logo no início do ano lectivo, noutros anos só é colocada muito depois do início das aulas. Nuns anos a colocação é feita para preenchimento dum lugar em aberto, mas, mesmo que seja para ocupar um lugar antes atribuído a um colega efectivo, continua a ser contratada só até ao final do ano lectivo. Noutros anos é contratada para substituir algum colega de baixa por doença ou alguém que morreu, ou se aposentou, antes do final do ano lectivo (estamos perante mais uma das situações em que a morte ou a doença de uns é a sorte de outros). Quase todos os anos passa longas horas nas filas dos Centros de Emprego e da Segurança Social para se candidatar ao subsídio de desemprego durante o tempo em que não está colocada. Umas vezes é colocada perto de casa. Noutras vezes tem de se deslocar mais de uma centena de quilómetros por dia. A remuneração, por ser professora contratada, é a correspondente ao índice mais baixo da carreira docente, mesmo sendo professora há 16 anos, não havendo lugar a diuturnidades nem a progressão na carreira.
A solidariedade dos colegas efectivos está pelas ruas da amargura. A grande questão que mobilizou os professores efectivos desde há muitos anos foi a contestação ao modelo de avaliação, (aqui funcionou o corporativismo demagógico, com a liderança das estruturas sindicais dos professores dominadas pelos professores efectivos). Nesta questão magna da precariedade dos professores contratados não encontramos uma mobilização sequer parecida como a que se assistiu nessa contestação ao modelo de avaliação. Na análise das diferentes posturas comportamentais entre professores não se pode deixar, por exemplo, de ter em conta o menor absentismo dos contratados, já que a precariedade força posturas que raiam a desumanidade.
E os alunos? Obviamente, os seus resultados são afectados por esta instabilidade do corpo docente. Mas, também aqui, parece que se quer empurrar as culpas do mau aproveitamento para o comportamento dos alunos ou dos pais, esquecendo que a escola e a sociedade têm graves responsabilidades na matéria.
Esta questão da instabilidade na colocação dos professores é um aspecto importante para o facto do ensino público aparecer, na generalidade, abaixo das escolas privadas onde há maior estabilidade do corpo docente, Ninguém, que conheça esta realidade, pode negar que este factor é da maior relevância na qualidade do ensino.
O relatório que a OCDE divulgou recentemente sobre o estado da educação em Portugal (OECD Reviews of Evaluation and Assessment in Education – Portugal) é revelador dos erros que têm de ser corrigidos. Alguns ainda tentam esconder a realidade com meia dúzia de indicadores positivos. Mas, o relatório tem mais de quatrocentos indicadores e na maioria deles Portugal fica mal na fotografia.
Perante este quadro, as muitas dezenas de milhar de professores contratados têm sido uns heróis. Mas é preciso honrar os heróis e não maltratá-los mantendo-os em situação precária, deprimente e lesiva do seu equilíbrio emocional e das suas famílias.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O que Nenhum Governo nos Pode Tirar
É cada vez mais consensual considerar a fase da história que atravessamos como a mais problemática socialmente desde a 2ª guerra mundial, podendo eu confirmar tal constatação já que pertencendo à geração dos actuais sexagenários este período está a ser por mim vivido.
Sou testemunha do baixo ponto civilizacional a que descemos, caracterizado com a desumanidade patente nos mais variados aspectos, desde o desemprego galopante à repressão asfixiante, modelo este estimulado por uma classe política boçal, que ocupa os lugares da governação, sem padrões culturais assentes em pilares de ética e cidadania e com manifestações arrepiantes de ignorância, prepotência e oportunismo.
A inversão do caminho para o inferno tem de ser conseguida com a prática de outros valores e com outros guias, que não permitam que nos limitem nas mais elementares aspirações, que não permitam que nos queiram tirar tudo.
Felizmente, ainda há coisas que, por muito que queiram, nenhum governo nos pode tirar.
Não nos podem tirar, por exemplo, a beleza dum pôr do sol, a tranquilidade do nascer do dia, a graciosidade do voo das andorinhas, a nostalgia do adágio de Albinoni, o desejo na Garota de Ipanema, a força do querer duma criança, o encanto dum concerto para violoncelo de Elgar, a luminosidade do luar de Janeiro, o prazer do acto de amor, a paz do parque da cidade numa tarde de sol de Inverno, a sabedoria das experiências da vida, a verdade que nos espera patente no requiem de Mozart ou de Verdi, a generosidade dos pobres ajudando desinteressadamente, o sabor dos alimentos de que gostamos, a recordação dos momentos vividos, o chilreio dos pássaros na Primavera, o gosto da leitura dum bom livro, a alegria das marchas de John Philip de Sousa, a calma do crepitar duma lareira, o poder ingénuo duma criança em enfrentar o sofrimento, a grandeza da paz no interior duma igreja, o amor e a rebeldia da transgressão na música dos Beatles, o querer em não repetir os erros cometidos, a beleza do arco-íris, o desejo da liberdade num recluso, o convívio com os bons amigos, o amor dos nossos entes queridos, a poesia (en)cantada por muitos músicos desde o Zeca Afonso à Amália Rodrigues, o recolhimento da participação numa missa de exéquias de alguém que nos tocou de perto, o estar acima dos interesses mesquinhos, o sentir do prazer de dar de forma anónima e desinteressada, o sorriso sempre sincero das crianças.
Nada disto pode ser tirado por qualquer governo, Nem sequer (ainda) objecto de qualquer imposto ou penhora.
Quando estivermos perante qualquer dos problemas de que a vida é, cada vez mais, madrasta em nos colocar, centremo-nos em qualquer dos bens referidos de que todos somos beneficiários.
É certo que o actual modelo de sociedade em que vivemos nos coloca perante confortos e necessidades que tornam a vida mais sadia e mais cómoda (habitação climatizada, água canalizada no domicílio, electricidade em todas as partes da casa, transportes públicos, etc…) mas, cada vez mais, estas comodidades são-nos disponibilizadas por quem se encontra no poder a troco de sacrifícios que nem todos estão a conseguir suportar. Esta degradação civilizacional acentua-se em contraponto com as mordomias obscenas de que beneficiam os detentores do poder político-financeiro, acentuando-se o fosso entre pobres e ricos, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
Enquanto não conseguirmos encontrar a via que nos livre daqueles que, de forma bruta e desumana, nos exploram, oprimem e asfixiam, gozemos o conjunto de coisas que nenhum governo ainda não nos pode tirar.
Sou testemunha do baixo ponto civilizacional a que descemos, caracterizado com a desumanidade patente nos mais variados aspectos, desde o desemprego galopante à repressão asfixiante, modelo este estimulado por uma classe política boçal, que ocupa os lugares da governação, sem padrões culturais assentes em pilares de ética e cidadania e com manifestações arrepiantes de ignorância, prepotência e oportunismo.
A inversão do caminho para o inferno tem de ser conseguida com a prática de outros valores e com outros guias, que não permitam que nos limitem nas mais elementares aspirações, que não permitam que nos queiram tirar tudo.
Felizmente, ainda há coisas que, por muito que queiram, nenhum governo nos pode tirar.
Não nos podem tirar, por exemplo, a beleza dum pôr do sol, a tranquilidade do nascer do dia, a graciosidade do voo das andorinhas, a nostalgia do adágio de Albinoni, o desejo na Garota de Ipanema, a força do querer duma criança, o encanto dum concerto para violoncelo de Elgar, a luminosidade do luar de Janeiro, o prazer do acto de amor, a paz do parque da cidade numa tarde de sol de Inverno, a sabedoria das experiências da vida, a verdade que nos espera patente no requiem de Mozart ou de Verdi, a generosidade dos pobres ajudando desinteressadamente, o sabor dos alimentos de que gostamos, a recordação dos momentos vividos, o chilreio dos pássaros na Primavera, o gosto da leitura dum bom livro, a alegria das marchas de John Philip de Sousa, a calma do crepitar duma lareira, o poder ingénuo duma criança em enfrentar o sofrimento, a grandeza da paz no interior duma igreja, o amor e a rebeldia da transgressão na música dos Beatles, o querer em não repetir os erros cometidos, a beleza do arco-íris, o desejo da liberdade num recluso, o convívio com os bons amigos, o amor dos nossos entes queridos, a poesia (en)cantada por muitos músicos desde o Zeca Afonso à Amália Rodrigues, o recolhimento da participação numa missa de exéquias de alguém que nos tocou de perto, o estar acima dos interesses mesquinhos, o sentir do prazer de dar de forma anónima e desinteressada, o sorriso sempre sincero das crianças.
Nada disto pode ser tirado por qualquer governo, Nem sequer (ainda) objecto de qualquer imposto ou penhora.
Quando estivermos perante qualquer dos problemas de que a vida é, cada vez mais, madrasta em nos colocar, centremo-nos em qualquer dos bens referidos de que todos somos beneficiários.
É certo que o actual modelo de sociedade em que vivemos nos coloca perante confortos e necessidades que tornam a vida mais sadia e mais cómoda (habitação climatizada, água canalizada no domicílio, electricidade em todas as partes da casa, transportes públicos, etc…) mas, cada vez mais, estas comodidades são-nos disponibilizadas por quem se encontra no poder a troco de sacrifícios que nem todos estão a conseguir suportar. Esta degradação civilizacional acentua-se em contraponto com as mordomias obscenas de que beneficiam os detentores do poder político-financeiro, acentuando-se o fosso entre pobres e ricos, tornando os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
Enquanto não conseguirmos encontrar a via que nos livre daqueles que, de forma bruta e desumana, nos exploram, oprimem e asfixiam, gozemos o conjunto de coisas que nenhum governo ainda não nos pode tirar.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O Julgamento da História
Passados setenta anos da 2ª guerra mundial continua sem resposta a pergunta de como foi possível a prática das atrocidades conhecidas. Ainda há dias, num programa de TV, foi exibida uma reportagem sobre os orfanatos no Goulag, na Rússia, mostrando-nos os horrores sofridos pelas crianças que por lá passaram. Passados setenta anos continua a não se vislumbrar qualquer razão para as crianças terem sido submetidas a tais sofrimentos, não se podendo justificar o poder político de então por determinar essas práticas desumanas.
Ao ver essa reportagem televisiva questionei-me: o que dirão de nós, daqui por alguns anos, quem assistir, nessa altura, a um eventual programa de televisão com retratos da situação social neste ano de 2012? O que dirão de nós por assistirmos quase passivamente à existência, só em Portugal, de mais de 400.000 desempregados sem qualquer fonte de rendimento? O que dirão de nós que sabemos que muitas dezenas de milhar de crianças vão para a escola sem terem feito os trabalhos de casa por não disporem de luz em suas casas (cortada por falta de dinheiro para a pagar)? O que dirão de nós que sabemos que essas mesmas crianças já nada têm que comer e beber em casa (a água também foi cortada pela mesma razão de ausência de rendimento)? O que dirão de nós que sabemos pela comunicação social da morte de idosos abandonados sem nada mudarmos nas nossas relações com os pais ou avós? O que dirão de nós que sabemos da existência duma mendicidade institucionalizada e dum número crescente de sem abrigo? O que dirão de nós que sabemos do despejo de famílias que deixaram de poder pagar as prestações das suas casas, ficando estas vazias anos e anos após o despejo? O que dirão de nós que sabemos que esta pobreza coabita com ricos, podres de ricos, e governantes bem instalados na vida? O que dirão de nós que sabemos que esta pobreza convive com situações escandalosas de corrupção, confisco, nepotismo e compadrio? O que dirão de nós que continuamos a mandar para prisões medievais os desafortunados da vida? O que dirão de nós que criamos organizações de direitos humanos, de consumidores, de rotários, de obediências maçónicas, de confissões religiosas, etc…, que deviam impedir que isto acontecesse mas que parece que se auto comprazem com pouco mais do que a sua mera existência?
Muitos dos responsáveis de há setenta anos alegaram que desconheciam a situação. Nós não vamos poder apresentar a mesma desculpa. Como disse a poetisa Sofia de Melo Breyner Andresen “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
E não temos vergonha de estarmos a ter este comportamento cúmplice e comprometedor? Não temos vergonha do que vão dizer de nós no futuro?
Que raio de sociedade esta em que vivemos!
Ao ver essa reportagem televisiva questionei-me: o que dirão de nós, daqui por alguns anos, quem assistir, nessa altura, a um eventual programa de televisão com retratos da situação social neste ano de 2012? O que dirão de nós por assistirmos quase passivamente à existência, só em Portugal, de mais de 400.000 desempregados sem qualquer fonte de rendimento? O que dirão de nós que sabemos que muitas dezenas de milhar de crianças vão para a escola sem terem feito os trabalhos de casa por não disporem de luz em suas casas (cortada por falta de dinheiro para a pagar)? O que dirão de nós que sabemos que essas mesmas crianças já nada têm que comer e beber em casa (a água também foi cortada pela mesma razão de ausência de rendimento)? O que dirão de nós que sabemos pela comunicação social da morte de idosos abandonados sem nada mudarmos nas nossas relações com os pais ou avós? O que dirão de nós que sabemos da existência duma mendicidade institucionalizada e dum número crescente de sem abrigo? O que dirão de nós que sabemos do despejo de famílias que deixaram de poder pagar as prestações das suas casas, ficando estas vazias anos e anos após o despejo? O que dirão de nós que sabemos que esta pobreza coabita com ricos, podres de ricos, e governantes bem instalados na vida? O que dirão de nós que sabemos que esta pobreza convive com situações escandalosas de corrupção, confisco, nepotismo e compadrio? O que dirão de nós que continuamos a mandar para prisões medievais os desafortunados da vida? O que dirão de nós que criamos organizações de direitos humanos, de consumidores, de rotários, de obediências maçónicas, de confissões religiosas, etc…, que deviam impedir que isto acontecesse mas que parece que se auto comprazem com pouco mais do que a sua mera existência?
Muitos dos responsáveis de há setenta anos alegaram que desconheciam a situação. Nós não vamos poder apresentar a mesma desculpa. Como disse a poetisa Sofia de Melo Breyner Andresen “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
E não temos vergonha de estarmos a ter este comportamento cúmplice e comprometedor? Não temos vergonha do que vão dizer de nós no futuro?
Que raio de sociedade esta em que vivemos!
domingo, 29 de janeiro de 2012
1984
George Orwell escreveu, há mais de meio século, o romance titulado 1984, em que nos alertava para as consequências da vivência numa sociedade totalitarista assente na vigilância permanente de todas pessoas.
Lembrei-me desta obra literária quando, no passado mês de Dezembro, tive conhecimento do parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) no qual esta entidade dava parecer negativo (por unanimidade dos seus membros) à proposta do Governo relativa à videovigilância. Na base deste parecer ressalta o perigo da invasão do direito à privacidade constante da Constituição da República Portuguesa e dos referenciais internacionais aos quais Portugal está obrigado por força da sua ratificação, nomeadamente do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.
É bom ter em conta que a referida Comissão Nacional de Protecção de Dados foi criada especificamente para defender os cidadãos perante o abuso no tratamento dos seus dados, de que os relativos à identificação assumem importância primordial. Neste sentido, qualquer sistema de tratamento de dados, no qual se inclui a videovigilância, tem de obter aprovação prévia dessa Comissão. Assim sendo, seria de esperar que o Governo acatasse o parecer e introduzisse as correcções necessárias no proposta legislativa que não implicassem violação do direito à privacidade a que todos os cidadãos têm direito. Mas não. O que o Ministro da Administração Interna declarou é que vão alterar o quadro legislativo retirando a exigência de aprovação da CNPD, já que os objectivos da videovigilância podem não ter em conta o direito à privacidade! Isto é uma barbaridade civilizacional. Será que o Senhor Ministro já leu o romance 1984?
Este é mais um dos aspectos que nos levam a afirmar que estamos a atravessar um período negro na história da humanidade. Já não é só o problema do desemprego, do aumento da pobreza, da desestruturação da família, das perspectivas sombrias de futuro para as crianças e jovens, da conflitualidade crescente na sociedade que se reflecte no aumento da criminalidade e do número de presos nas cadeias. É, também, com a secundarização do direito das pessoas a serem livres sem estarem a ser permanentemente vigiadas. Perante isto só resta encontrar o caminho da desobediência civil na defesa dos mais elementares princípios civilizacionais.
Também na obra literária 1984 a personagem central do romance, Wiston Smith, sentiu na pele as consequências tenebrosas da falta de liberdade e da ilusão que a vigilância pode ser um caminho para a segurança. Todos os indicadores, de natureza filosófica ou de dados estatísticos, vão no sentido contrário. Só na Inglaterra há mais de quatro milhões de câmaras instaladas no espaço público e esse País tem a maior criminalidade e o maior número de presos nas prisões de toda a sua história. O caminho da repressão e da videovigilância não são sinónimos de menos crimes, não têm efeito dissuasório. Só uma cultura de liberdade, de paz, de igualdade e de fraternidade conduzem a melhor convivência entre os povos.
A Novilíngua e o Big Brother de 1984 mostram que caminhos não devemos trilhar.
Lembrei-me desta obra literária quando, no passado mês de Dezembro, tive conhecimento do parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) no qual esta entidade dava parecer negativo (por unanimidade dos seus membros) à proposta do Governo relativa à videovigilância. Na base deste parecer ressalta o perigo da invasão do direito à privacidade constante da Constituição da República Portuguesa e dos referenciais internacionais aos quais Portugal está obrigado por força da sua ratificação, nomeadamente do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.
É bom ter em conta que a referida Comissão Nacional de Protecção de Dados foi criada especificamente para defender os cidadãos perante o abuso no tratamento dos seus dados, de que os relativos à identificação assumem importância primordial. Neste sentido, qualquer sistema de tratamento de dados, no qual se inclui a videovigilância, tem de obter aprovação prévia dessa Comissão. Assim sendo, seria de esperar que o Governo acatasse o parecer e introduzisse as correcções necessárias no proposta legislativa que não implicassem violação do direito à privacidade a que todos os cidadãos têm direito. Mas não. O que o Ministro da Administração Interna declarou é que vão alterar o quadro legislativo retirando a exigência de aprovação da CNPD, já que os objectivos da videovigilância podem não ter em conta o direito à privacidade! Isto é uma barbaridade civilizacional. Será que o Senhor Ministro já leu o romance 1984?
Este é mais um dos aspectos que nos levam a afirmar que estamos a atravessar um período negro na história da humanidade. Já não é só o problema do desemprego, do aumento da pobreza, da desestruturação da família, das perspectivas sombrias de futuro para as crianças e jovens, da conflitualidade crescente na sociedade que se reflecte no aumento da criminalidade e do número de presos nas cadeias. É, também, com a secundarização do direito das pessoas a serem livres sem estarem a ser permanentemente vigiadas. Perante isto só resta encontrar o caminho da desobediência civil na defesa dos mais elementares princípios civilizacionais.
Também na obra literária 1984 a personagem central do romance, Wiston Smith, sentiu na pele as consequências tenebrosas da falta de liberdade e da ilusão que a vigilância pode ser um caminho para a segurança. Todos os indicadores, de natureza filosófica ou de dados estatísticos, vão no sentido contrário. Só na Inglaterra há mais de quatro milhões de câmaras instaladas no espaço público e esse País tem a maior criminalidade e o maior número de presos nas prisões de toda a sua história. O caminho da repressão e da videovigilância não são sinónimos de menos crimes, não têm efeito dissuasório. Só uma cultura de liberdade, de paz, de igualdade e de fraternidade conduzem a melhor convivência entre os povos.
A Novilíngua e o Big Brother de 1984 mostram que caminhos não devemos trilhar.
Noite de Passagem de Ano
Gracias à la vida que me há dado tanto.
Das versões que conheço desta bonita canção, gosto particularmente da interpretada por Mercedes Sosa. Lembrei-me desta parte do poema quando na noite de passagem de ano me deparei com uma inesperada beleza de dádivas protagonizadas por aquilo a que chamamos comunidade das pessoas.
Quando combinei, na véspera do dia 31, com alguns familiares e amigos que iríamos comemorar a passagem do ano na baixa do Porto estava longe de pensar que iria participar numa noite inolvidável. Numa altura em que a crise, com todas as componentes dramáticas e preocupantes como é caracterizada, parece levar as pessoas para um comportamento triste e insípido, foi uma surpresa ver todo o espaço do centro da baixa do Porto inundado de tantas pessoas como nunca tinha visto, mesmo nas muitas manifestações, vitórias do F.C.Porto e festas de S. João em que já participei. As Praças da Liberdade, General Humberto Delgado, Avenida dos Aliados e ruas adjacentes estavam pejadas de pessoas de todas as raças, muitas nacionalidades, e de todas as idades e estratos sociais. Pelas informações dadas pela comunicação social, em muitas cidades do mundo verificou-se igual avalanche de pessoas.
Esperava que estivessem muitas pessoas, como tem sido tradição em anos anteriores, mas a dimensão verificada deixou-me estupefacto. O que levou tantas pessoas a virem para a rua confraternizarem em ambiente alegre e fraterno (Não, não foi só a falta de dinheiro pois vi muita gente de estatuto económico que lhes permitia estarem em ambientes que não a rua)? Que efeito teve naquelas pessoas o clima que tem vindo a ser criado de preocupação e austeridade? Como é que se conseguiu uma tão grande mobilização se nem sequer houve qualquer campanha publicitária sobre o evento ou outras acções de propaganda como são feitas por organizações conhecidas? Repito: o que levou aquele mar de gente à baixa do Porto se nem sequer se tratava de qualquer acção em prol de benefício directo dos participantes?
Desejei que naquela altura estivesse lá qualquer responsável governamental, ou da famigerada Troika, para que se interrogassem sobre o efeito das suas acções no comportamento dos portugueses. Provavelmente pensariam: estes portugueses são loucos para se comportarem assim numa altura de tão grande crise económica.
Na verdade, uma ilação a tirar é a de que os portugueses, sempre que puderem, estão-se marimbando para as indicações dessas senhoras e senhores do poder político e económico. É certo que esta gente está a atirar uma massa enorme de pessoas para a miséria e para a exclusão social, de forma injusta e desumana, com as decisões que tomam, gerando situações deprimentes e injustificadas, com o correspondente abrir de caminho para actos que noutras alturas seriam claramente anti-sociais mas que, na situação actual, são actos de desespero, tais como roubos, assaltos e outros actos que permitam às pessoas que são atiradas para a margem o acesso às condições básicas que as mantenham vivas (Fica um travo na garganta pelas pessoas vítimas desses actos).
A noite de passagem de ano na baixa do Porto foi uma bofetada naqueles que decidiram o modelo que nos governa. Demonstrou que as pessoas não querem perder o seu sentido humano e fraterno. Até parece que houve uma mãozinha divina ao inspirar todas aquelas pessoas para se juntarem em alegre convívio, sem nada ganharem em troca, excepto a mais importante força que nunca deveremos perder: a sadia convivência humana. E ainda por cima o fogo de artifício foi muito bom (parabéns aos trabalhadores que o fabricaram e manipularam).
Que grande noite de passagem de ano!
………………………….
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando
Das versões que conheço desta bonita canção, gosto particularmente da interpretada por Mercedes Sosa. Lembrei-me desta parte do poema quando na noite de passagem de ano me deparei com uma inesperada beleza de dádivas protagonizadas por aquilo a que chamamos comunidade das pessoas.
Quando combinei, na véspera do dia 31, com alguns familiares e amigos que iríamos comemorar a passagem do ano na baixa do Porto estava longe de pensar que iria participar numa noite inolvidável. Numa altura em que a crise, com todas as componentes dramáticas e preocupantes como é caracterizada, parece levar as pessoas para um comportamento triste e insípido, foi uma surpresa ver todo o espaço do centro da baixa do Porto inundado de tantas pessoas como nunca tinha visto, mesmo nas muitas manifestações, vitórias do F.C.Porto e festas de S. João em que já participei. As Praças da Liberdade, General Humberto Delgado, Avenida dos Aliados e ruas adjacentes estavam pejadas de pessoas de todas as raças, muitas nacionalidades, e de todas as idades e estratos sociais. Pelas informações dadas pela comunicação social, em muitas cidades do mundo verificou-se igual avalanche de pessoas.
Esperava que estivessem muitas pessoas, como tem sido tradição em anos anteriores, mas a dimensão verificada deixou-me estupefacto. O que levou tantas pessoas a virem para a rua confraternizarem em ambiente alegre e fraterno (Não, não foi só a falta de dinheiro pois vi muita gente de estatuto económico que lhes permitia estarem em ambientes que não a rua)? Que efeito teve naquelas pessoas o clima que tem vindo a ser criado de preocupação e austeridade? Como é que se conseguiu uma tão grande mobilização se nem sequer houve qualquer campanha publicitária sobre o evento ou outras acções de propaganda como são feitas por organizações conhecidas? Repito: o que levou aquele mar de gente à baixa do Porto se nem sequer se tratava de qualquer acção em prol de benefício directo dos participantes?
Desejei que naquela altura estivesse lá qualquer responsável governamental, ou da famigerada Troika, para que se interrogassem sobre o efeito das suas acções no comportamento dos portugueses. Provavelmente pensariam: estes portugueses são loucos para se comportarem assim numa altura de tão grande crise económica.
Na verdade, uma ilação a tirar é a de que os portugueses, sempre que puderem, estão-se marimbando para as indicações dessas senhoras e senhores do poder político e económico. É certo que esta gente está a atirar uma massa enorme de pessoas para a miséria e para a exclusão social, de forma injusta e desumana, com as decisões que tomam, gerando situações deprimentes e injustificadas, com o correspondente abrir de caminho para actos que noutras alturas seriam claramente anti-sociais mas que, na situação actual, são actos de desespero, tais como roubos, assaltos e outros actos que permitam às pessoas que são atiradas para a margem o acesso às condições básicas que as mantenham vivas (Fica um travo na garganta pelas pessoas vítimas desses actos).
A noite de passagem de ano na baixa do Porto foi uma bofetada naqueles que decidiram o modelo que nos governa. Demonstrou que as pessoas não querem perder o seu sentido humano e fraterno. Até parece que houve uma mãozinha divina ao inspirar todas aquelas pessoas para se juntarem em alegre convívio, sem nada ganharem em troca, excepto a mais importante força que nunca deveremos perder: a sadia convivência humana. E ainda por cima o fogo de artifício foi muito bom (parabéns aos trabalhadores que o fabricaram e manipularam).
Que grande noite de passagem de ano!
………………………….
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Natal
NATAL
Na sua mensagem de Natal deste ano de 2011, o Bispo D. Januário Torgal Ferreira chama a nossa atenção para a falsidade em que nos encontramos quando assistimos ao proclamar pretensas situações de vivências acima das possibilidades. Atentemos:
……………………………………..
”O ar festivo desta quadra é sinal de convicções cristãs e dos motivos de quem partilha, connosco, as causas da Humanidade. A defesa dos princípios que regem a dignidade da pessoa compromete-nos no exercício de comportamentos limpos, sem conveniências nem interesses.
…………………………………………..
Na linha do pensamento social da Igreja, os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social; também nunca se respirará a tranquilidade enquanto não se experimentar que se é sujeito e não objecto da vida económica, social e política. Tenha-se recato em aludir ao viver acima das possibilidades. Há um mundo de portuguesas e portugueses que nunca as tiveram!
A fraude da cidade burguesa consistiu em não mostrar os pobres (Andrea Riccardi). Aqui e acolá, há pretensões desta ordem. Mas o Natal não vive esse pudor terrível!
……………………………………………………………………”
Esta denúncia de D. Januário é a expressão da distância a que ainda nos encontramos do espírito de solidariedade, de fraternidade e de paz que todos desejamos. A celebração do nascimento de Jesus Cristo, que incorpora os mais altos valores humanos, é acompanhada da manifestação de apego a esses valores mas, infelizmente, ainda nos encontramos longe de que sejam usufruto de muitos sectores da sociedade.
Neste ano de 2011 assistimos, até, a um retrocesso civilizacional, afastando uma maior faixa de pessoas da possibilidade de poder beneficiar desse espírito de Natal. A famigerada crise, empurrando mais pessoas para o desemprego, baixando rendimentos dos que ainda têm emprego, impedindo muitos jovens de acederem à educação e ao trabalho, gerando conflitos entre pessoas e aumentando a tristeza e a desolação de quem não sente os benefícios duma melhor qualidade de vida, está a provocar esse retrocesso civilizacional inaceitável, desumano e nada compatível com a celebração natalícia. A agravar este retrato devemos dar uma ênfase particular à situação das crianças que não vão poder viver este Natal com a felicidade que merecem. É que se há alguém a quem o Natal diz muito são as crianças. A dor que sentimos quando defrontamos o olhar triste duma criança não pode ser tapada por qualquer prenda ou ceia de Natal. Como se sentirá uma criança quando ouve dizer que o Natal é a festa da família mas o seu pai ou a sua mãe estarão ausentes? Só de pensar nisto sinto uma angústia no peito.
Se desejamos ser consequentes com os valores de solidariedade, de fraternidade e de paz, temos de nos comportar na sociedade em coerência com tal. Temos de ser menos conflituosos, mais generosos, menos egoístas, mais magnânimos. Devemos cultivar o perdão e não a vingança. Devemos ser mais condescendentes e menos impiedosos. Devemos praticar a dádiva desinteressada, a compreensão alargada, o sentir que o nosso eu se prolonga nos outros.
O Natal tem de ser uma celebração de Amor. Só assim é verdadeiramente cristão.
Feliz Natal!
Na sua mensagem de Natal deste ano de 2011, o Bispo D. Januário Torgal Ferreira chama a nossa atenção para a falsidade em que nos encontramos quando assistimos ao proclamar pretensas situações de vivências acima das possibilidades. Atentemos:
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”O ar festivo desta quadra é sinal de convicções cristãs e dos motivos de quem partilha, connosco, as causas da Humanidade. A defesa dos princípios que regem a dignidade da pessoa compromete-nos no exercício de comportamentos limpos, sem conveniências nem interesses.
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Na linha do pensamento social da Igreja, os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social; também nunca se respirará a tranquilidade enquanto não se experimentar que se é sujeito e não objecto da vida económica, social e política. Tenha-se recato em aludir ao viver acima das possibilidades. Há um mundo de portuguesas e portugueses que nunca as tiveram!
A fraude da cidade burguesa consistiu em não mostrar os pobres (Andrea Riccardi). Aqui e acolá, há pretensões desta ordem. Mas o Natal não vive esse pudor terrível!
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Esta denúncia de D. Januário é a expressão da distância a que ainda nos encontramos do espírito de solidariedade, de fraternidade e de paz que todos desejamos. A celebração do nascimento de Jesus Cristo, que incorpora os mais altos valores humanos, é acompanhada da manifestação de apego a esses valores mas, infelizmente, ainda nos encontramos longe de que sejam usufruto de muitos sectores da sociedade.
Neste ano de 2011 assistimos, até, a um retrocesso civilizacional, afastando uma maior faixa de pessoas da possibilidade de poder beneficiar desse espírito de Natal. A famigerada crise, empurrando mais pessoas para o desemprego, baixando rendimentos dos que ainda têm emprego, impedindo muitos jovens de acederem à educação e ao trabalho, gerando conflitos entre pessoas e aumentando a tristeza e a desolação de quem não sente os benefícios duma melhor qualidade de vida, está a provocar esse retrocesso civilizacional inaceitável, desumano e nada compatível com a celebração natalícia. A agravar este retrato devemos dar uma ênfase particular à situação das crianças que não vão poder viver este Natal com a felicidade que merecem. É que se há alguém a quem o Natal diz muito são as crianças. A dor que sentimos quando defrontamos o olhar triste duma criança não pode ser tapada por qualquer prenda ou ceia de Natal. Como se sentirá uma criança quando ouve dizer que o Natal é a festa da família mas o seu pai ou a sua mãe estarão ausentes? Só de pensar nisto sinto uma angústia no peito.
Se desejamos ser consequentes com os valores de solidariedade, de fraternidade e de paz, temos de nos comportar na sociedade em coerência com tal. Temos de ser menos conflituosos, mais generosos, menos egoístas, mais magnânimos. Devemos cultivar o perdão e não a vingança. Devemos ser mais condescendentes e menos impiedosos. Devemos praticar a dádiva desinteressada, a compreensão alargada, o sentir que o nosso eu se prolonga nos outros.
O Natal tem de ser uma celebração de Amor. Só assim é verdadeiramente cristão.
Feliz Natal!
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