Ai, que grande mágoa se instalou no meu peito.
Agora é que se está a ver a verdadeira cerviz do povo português: inculto, servil, dissimulado, medroso, vingativo e manhoso.
A reverência ao padre e ao regedor sempre foram a sua matriz.
50 anos depois do 25 de Abril de 1974 o povo português voltou a mostrar a sua identidade nestas últimas eleições.
1 -
Caracterização do actual modelo de sociedade
- Grande complexidade da
gestão política
- Quadro das relações público-privadas com muitas relações atípicas (Ensino; Saúde; Economia/Finanças – ex: EDP; TLP; GALP; Banca, PPPs etc…).
-
Interacção internacional múltipla (UE; OMC; CE; CPLP; etc…).
- Referenciais internacionais imperativos (Directivas da U.E.; Convenções, Tratados e Protocolos da ONU e do Conselho da Europa; Acordos bilaterais e multilaterais diversos – OMC; CPLP; Países África/Caraíbas; etc…).
- Mutações rápidas no
conhecimento científico e nas TIC.
- Sentido pouco exemplar do Estado, dos seus dirigentes e das suas instituições. (O Estado não é considerado uma pessoa de bem).
2 – Caracterização
da governação política
- Poder político assente em duas forças principais, com indefinições programáticas e acções casuísticas, com ausência de representação eleitoral;
-
Actos eleitorais traduzidos em cheques em branco;
-
Mutações frequentes nos quadros legislativos;
- As escolhas dos cidadãos baseiam-se, principalmente, no show-off, na aparência fisionómica, na demagogia dos candidatos, no vedetismo associado às forças políticas. Raramente no programa de candidatura.
- Os dirigentes políticos são cada vez mais boçais, incultos, oportunistas, e com uma postura sem predicados éticos. Vulneráveis à corrupção, compadrio, tráfico de influências e egoísmo, com pouca sensibilidade real para com os mais desfavorecidos, revelam falta de idoneidade pessoal (negócios pouco claros, processos judiciais frequentes, envolvimento em malabarismos económico- financeiros, etc…).
3 – Caracterização
dalguns indicadores de cidadania
- Degradação da cultura cívica de ano para
ano;
-
Domínio da vacuidade nos espaços televisivos e de formação da opinião;
-
Órgãos de comunicação social orientados pela rentabilidade económica;
-
Fosso entre pobres e ricos agravando-se continuamente;
- Aumento da criminalidade em consequência da falta duma cultura humanista e da falta de sentimentos de solidariedade e de partilha.
4 - Assim
sendo:
- É preciso ser-se dotado de grande capacidade para escolher em quem votar, perante a complexidade deste sistema com ausência de responsabilidade dos eleitos;
- Não há, no actual xadrez político, qualquer organização que tenha por objectivo a criação duma nova ordem política, económica, social e cultural.
- Não faz sentido eleger pessoas para ficarem com privilégios inacessíveis a quem elege, determinando que o eleitor aceita o estatuto de inferior perante o eleito, contrariando a orientação dos referenciais de direitos humanos de que todos somos iguais em dignidade e direitos (artº 1º da D.U.D.H).
Como considero que não sou nem mais nem menos que os outros, que não sou capaz de fazer opções sérias neste sistema e nem vejo nele qualquer força política que se proponha modificá-lo,
NÃO VOTO, ABSTENHO-ME!
Data: Finais do
século XX e início do século XXI
Petição pública
A solidão e o abandono de pessoas - Criação
de programa de combate
Constatando
que:
- É cada vez maior o
número de pessoas a viverem sós;
- A solidão e
o abandono propiciam o aparecimento de doenças mentais;
- A depressão
atinge, significamente, as pessoas que se encontram em ambiente de solidão ou
abandono;
- A solidão e
o abandono estão na base de muitos suicídios e de manifestações de desistência
de vontade de viver;
- A solidão e
o abandono são transversais a faixas etárias alargadas, desde os jovens aos
idosos;
- A solidão
propicia precipitadas ligações pessoais de afetividade precária e instável, com
base no medo do sentimento de abandono;
- Os estudos
sociológicos e clínicos demonstram um crescimento de patologias associadas à
solidão e abandono;
- As famílias
e a comunidade têm vindo a demonstrar um crescente alheamento das condições de
vida das pessoas a quem as ligam laços de parentesco e amizade, aumentando a
tendência para o crescimento da solidão e abandono;
- Há um
crescimento preocupante de pessoas abandonadas nos hospitais e na situação de
sem abrigo;
- As pessoas
vivendo em ambiente de solidão e abandono tendem a restringir a sua adesão a
realizações de valorização cultural e social;
- O abandono
afetivo e a solidão, seja
por ausência material ou de afeto negado, é uma
violação dos direitos humanos pelo impacto direto e profundo na dignidade da
pessoa humana;
- As medidas
até agora tomadas têm-se revelado insuficientes para enfrentar as consequências
da solidão e do abandono.
Considerando
a responsabilidade que a todos incumbe nesta matéria, solicita-se à Assembleia
da República a aprovação de uma lei quadro que consubstancie um conjunto de
medidas de combate à solidão e abandono de pessoas, envolvendo e
responsabilizando as famílias, a comunidade e as entidades especializadas
relevantes nesta área.
PETIÇÃO
Amnistia/Perdão de
Penas no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
Destinatários da Petição:
Assembleia da República e Comissão Comemorativa dos 50 anos
do 25 de Abril
É comummente aceite que o
principal resultado da revolução do 25 de Abril de 1974 foi a conquista da
liberdade pelos portugueses, de que todos nos orgulhamos. Por isso se designa o
25 de Abril como o Dia da Liberdade.
Infelizmente, nos anos
posteriores a essa data, assistiu-se a um crescimento da população prisional
que, certamente, não estava nos desígnios de quem no 25 de Abril de 1974
participou. Esta constatação do crescimento do número de reclusos está patente
no facto de nessa data existirem nas prisões portuguesas menos de 3.000
reclusos, ao passo que, atualmente, temos mais de 12.000 pessoas nas prisões a
que se adiciona cerca de 30.000 pessoas em cumprimento de penas e medidas na
comunidade.
Por outro lado, diversas
instituições nacionais e internacionais, como a O.V.A.R. - Obra Vicentina de
Auxílio aos Reclusos (Distinguida com o prémio "Direitos Humanos
2018" pela Assembleia da República), a APAR-Associação Portuguesa de Apoio
ao Recluso, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Comité contra a Tortura do
Conselho de Europa, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, o MNP da
Provedoria de Justiça, etc..., têm vindo a denunciar e a condenar as condições
desumanas existentes nas prisões em Portugal. Igualmente, tem sido denunciado
que Portugal tem um excessivo tempo médio de cumprimento de pena (mais do
triplo da média dos países da União Europeia), que a liberdade condicional
raramente é concedida a meio da pena como está previsto legalmente e é prática
corrente em muitos países europeus, que o quadro legal das penas sucessivas
pode configurar a prisão perpétua proibida constitucionalmente, que a
reinserção social dentro do sistema prisional é irrelevante, que devem ser
alargadas as medidas alternativas à pena
de privação da liberdade, etc..., etc..., etc...
É também conhecido que a única
amnistia aplicável ao sistema prisional, aprovada neste século XXI, relacionada
com a visita do Papa em 2023 no âmbito da JMJ23, tendo sido muito restritiva e
frouxa, não mostrou o registo de reincidência significativa nos reclusos
abrangidos.
Tendo em conta o exposto, e o
significado da relação entre o 25 de Abril e a Liberdade, os signatários vêm
solicitar que no programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril conste a aprovação,
pela Assembleia da República, de uma amnistia/perdão de penas, de aplicação ampla,
de âmbito generalizado e de dimensão significativa.
Nota. Esta petição será publicada
na internet como Petição Pública, será enviada à Comissão Comemorativa dos 50
anos do 25 de Abril, ao Presidente da República, à Assembleia da República, aos
partidos políticos com assento parlamentar na legislatura finda com a
dissolução da AR, circulará nos estabelecimentos prisionais e será enviada aos
órgãos de comunicação social. Será,
também, enviada à nova Assembleia da República logo que esteja constituída.
Eleições legislativas 2024 - Vinte questões relevantes
# Mudar Porto.6 – Refletir com o passado – Caminhar para o futuro
1 - Direitos Humanos – Dignidade de ser pessoa
2 - Celebra-se, amanhã 10 de Dezembro,
a proclamação, há 75 anos, pela Organização da Nações Unidas, da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Considerado o mais avançado
referencial histórico para as relações entre as pessoas e a vida em sociedade,
teve a sua origem como resposta à barbárie da II guerra mundial, para que não
mais se repetissem as atrocidades cometidas, envolvendo na sua redação
eminentes personalidades de profunda sensibilidade humanista.
E como estão a ser respeitados os
princípios emanados dessa Declaração, neste final do ano de 2023?
3 - Passados 75 anos assiste-se a um esboroar dos princípios consignados na
DUDH. As atrocidades da guerra que levou à construção da DUDH continuam
espalhadas pelo mundo. O caso mais recente da Palestina é disso exemplo. Ódio,
vingança, violência, abuso da superioridade bélica, desumanidade, passividade e
conivência de muitos responsáveis políticos e de muita opinião pública pelo
sofrimento dos povos. As vítimas do passado tornam-se, muitas vezes, os carrascos
do presente.
4 - E
temos, no presente, a situação na Palestina, na Ucrânia, no Iémen, no
Curdistão, no Sara Ocidental, em Myanmar, na Síria, etc…, etc…, etc… . Em todos
estes conflitos a DUDH está ausente. Os Estados representados na ONU que estão
obrigados a respeitar aquilo a que se comprometeram, fazem disso letra morta,
alimentando as máquinas de guerra causadoras de morte e sofrimento. Ainda
recentemente, uma revista de economia aconselhava os investidores a aplicações
financeiras em fundos de que fazem parte empresas de armamento. E os cidadãos
mais abastados, cegos por ganharem mais euros para as férias de fim de ano ou
para trocar de automóvel, dão instruções aos seus gestores da conta bancária
para tais aplicações, sem consideração pela responsabilidade que assumem nas
violações de direitos humanos que essas empresas de armas de guerra provocam e
apoiando governos que pactuam com essas violações de direitos humanos.
5 - E que
dizer do agravamento das desigualdades, do elevado nível de pobreza, dos sem
abrigo, dos refugiados e migrantes, das novas formas de escravatura, da
situação nas prisões, etc…, etc…, etc… .
Passados
75 anos da proclamação da DUDH já quase ninguém fala nela. Têm visto alguma
ênfase nas instituições políticas e nos órgãos de comunicação social perante
uma efeméride – 75 anos - que tem, noutras situações, uma carga de grande
simbolismo?
No mês passado estreou nos cinemas portugueses o último filme de Ken Loach
com o título “The Old Oak”, no qual são retratados muitos dos problemas que
afetam o mundo, em que é referida a expressão social bem conhecida: “Se os
trabalhadores soubessem o poder que têm e o quisessem usar, então o mundo
mudaria”. Quando será que os trabalhadores perdem o medo reclamando os direitos
humanos, levantando-se com a tomada de consciência do seu poder e se unam para
o utilizarem?
Considerando os 23 anos deste século, assistimos a um retrocesso
preocupante na observância do compromisso assumido há 75 anos.
6 - A jornalista Ana Sá Lopes no jornal Público de 29.10.2023 disse: “Já tinha havido a
criminosa guerra do Iraque, as torturas de Guantánamo, a guerra
do Afeganistão onde os Estados Unidos entregaram sem remorsos o poder aos
taliban depois de todo o sangue derramado. O Ocidente tem um
problema moral a resolver: a invocação permanente dos direitos
humanos começa a ser conversa de chacha.”
Podemos
aceitar que os direitos humanos sejam conversa de chacha? Podemos aceitar que
esta sessão de Refletir com o Passado-Caminhar para o Futuro seja conversa de chacha?
Podemos aceitar que os mais de 200 referenciais jurídicos das Nações Unidas derivados
da DUDH sejam conversa de chacha? Podemos aceitar que os instrumentos de
direito internacional humanitário sejam conversa de chacha?
7 - Podemos
aceitar que a habitação pública em Portugal, que representa somente 2% do total
de alojamentos, tenha objetivos muito longe da média da União Europeia que é
superior a 14% com países a deterem valores da ordem dos 30 e 40%? Podemos
aceitar que a renda média mensal de um T2 nesta cidade do Porto seja muito
superior a € 1.000, valor inacessível a uma larga faixa da população? Podemos
aceitar em Portugal um crescimento contínuo de pessoas sem abrigo, enquanto há
700.000 casas vazias? Podemos aceitar que as dificuldades económicas das
pessoas levem às penhoras das suas casas, salários, pensões e aos despejos e à
venda de crédito malparado a fundos abutre? Podemos aceitar que haja em
Portugal mais de 4 milhões de trabalhadores e reformados a receberem menos de
800 euros mensais? Podemos aceitar que em Portugal haja mais de 70.000 jovens
em acompanhamento nas CPCJs e mais de 3 milhões de diagnósticos de
perturbações mentais em adultos e crianças? Podemos aceitar em ter uma situação
nas prisões indigna e um elevado número de reclusos a quem são negados direitos
elementares (Portugal tem o maior tempo médio de cumprimento de pena da União
Europeia)? Podemos aceitar ter prisões opacas, medonhas, arcaicas, violentas,
medievais, ineficazes, desumanas, violentas e dispendiosas? Podemos aceitar que
o Governo cultive a opacidade e não divulgue os relatórios sobre o que se passa
no interior das prisões que, nos últimos 50 anos, passou de 3.000 presos para
mais de 12.000 e ainda mais de 30.000 em cumprimento de penas e medidas na
comunidade? Podemos aceitar que a chaga social das dependências não tenha uma outra
visão humanista, promovendo a sua prevenção e o enquadramento legal dos seus
fatores como se fez com o tabaco e o álcool, em substituição da repressão e
punição? Podemos aceitar que a pobreza ocupe um espaço residual nos órgãos de
comunicação social? Podemos aceitar que na era das tecnologias de informação e
comunicação os sites das autarquias não contenham uma completa radiografia da
sua situação económico-social?
8 - Se
sim, se podemos aceitar, então aceitamos que vigore a lei do mais forte, do
mais rico e do mais poderoso. Se sim, então aceitamos o regresso do poder das
armas, do genocídio, da escravatura e de todos os modelos de exploração da
pessoa humana. Se sim, aceitamos um modelo de sociedade desumana, policial,
repressiva e punitiva. Se sim, aceitamos a opacidade e a lei da selva a nortear
as relações entre as pessoas, o que se traduz num grave retrocesso
civilizacional, tornando-se necessária uma nova ordem política, económica,
social e cultural. Eu não estarei nessa corrente de aceitação. Eu estarei na
corrente que Manuel Alegre nos deixou no poema “Trova do Vento que Passa”:
9 - “Mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que
resiste, há sempre alguém que diz não.”.