sábado, 19 de outubro de 2024

Amnistia/Perdão de penas - Comunicado de Imprensa

 

Comunicado de Imprensa

Petição de Amnistia/Perdão de Penas no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril

A Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República comunicou-nos, hoje, que “(…) Estando concluída a intervenção desta Comissão, o relatório foi enviado ao Senhor Presidente da Assembleia da República, com pedido de agendamento da discussão da petição em Plenário, ao abrigo do disposto na alínea a) do n.º 1 do artigo 24.º da referida Lei. (…). Vai, portanto, ser debatida, proximamente, no plenário da Assembleia da República, a petição para aprovação de uma amnistia/perdão de penas no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que teve como promotoras as associações O.V.A.R. – Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos e APAR – Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso.

Os fundamentos constam da petição, que se anexa, e que se sintetizam:

- Em 25 de Abril de 1974 havia menos de 3.000 reclusos nas prisões portuguesas, muitos dos quais foram libertados nos dias seguintes a essa data memorável;

- Em 1 de junho de 2024 Portugal tinha 12.301 pessoas presas a cumprir pena de privação de liberdade e cerca de 30.000 a cumprir penas e medidas na comunidade. Estes valores colocam Portugal num dos países com mais elevada taxa de presos por 100.000 habitantes (118 contra 73 na média da União Europeia);

- O tempo médio de cumprimento de pena é em Portugal de cerca de 31 meses contra 8 meses na União Europeia;

- Os processos nas áreas cível, administrativa, fiscal e criminal arrastam-se no tempo;

- As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e o apelo do Papa Francisco para o Jubileu de 2025 devem ser tidos em conta, com ações concretas de clemência, de perdão e misericórdia;

- Pelo que deve ser aprovada uma amnistia/perdão de penas que coloque Portugal, pelo menos, na média da União Europeia, nas diferentes áreas do poder judicial.

Muitos dos problemas do sistema prisional seriam ultrapassados com uma diminuição significativa da população prisional. E tal só é possível com uma amnistia/perdão de penas, acompanhada de uma campanha de sensibilização contra a prática de atos anti-sociais.

Se tal não for feito continuaremos a gastar centenas de milhões de euros com prisões e com o pagamento de indemnizações a reclusos, criando o paradoxo de mandar pessoas para as prisões e pagar-lhes por isso. Temos de ter em conta que, com este modelo repressivo/punitivo, nos últimos 10 anos entraram nas prisões portuguesas cerca de 50.000 pessoas, muitas delas reincidentes, além das muitas dezenas de milhar de pessoas que cumpriram penas e medidas na comunidade. Isto num país de matriz católica que tem como pilares o perdão e a misericórdia.

Durante a audição parlamentar havida em 27.06.2024 nenhuma força política apresentou qualquer medida que coloque Portugal, pelo menos, na média da União Europeia de número de reclusos por habitante e de tempo médio de cumprimento de pena, assim como em acabar com a sobrelotação e as condições desumanas nos estabelecimentos prisionais, nem nos inúmeros aspetos que temos denunciado, apesar de dizerem ser inaceitável tal estado, agravado com os atrasos, excesso de prisão preventiva e pendências existentes no sistema judicial.

As denúncias da Provedoria de Justiça, do Comité para a Prevenção da Tortura do Conselho da Europa, do Conselho de Direitos Humanos da ONU e das múltiplas organizações nacionais e internacionais que têm condenado Portugal, parecem não estar a ser tidas em conta pelas autoridades políticas portuguesas. Parece que a classe política se quer manter conivente em sermos o país da União Europeia com maior tempo médio de cumprimento de pena e dos que tem maior número de reclusos por habitante. Parece que a classe política se quer manter conivente em continuar a pagar indemnizações aos reclusos por os manter presos em condições desumanas. Quem se sente confortável em votar com quem é conivente com tal situação?

Está petição tem de originar apresentações de projetos de lei, por parte das forças políticas que compõem a AR, que respondam aos objetivos da petição.

É com expectativa que estaremos presentes a assistir à discussão da petição no plenário da A.R.

 

17 de Outubro de 2024

O.V.A.R.-Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos/APAR-Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso

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